Câncer de pele: conhecer para enfrentar

Câncer de pele: conhecer para enfrentar
janeiro 11 16:11 2019

Por: Silen Ribeiro

Foto: Leidyane Ramos

Nesta entrevista, o cirurgião de cabeça e pescoço Dr. Francisco Cláudio B. Abrantes fala sobre o tema. Vale a pena conferir.

O que é câncer de pele e quais os tipos mais frequentes?

É um tipo de câncer que surge com a multiplicação desordenada das células da pele, dando origem a tumores. Atualmente, cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no Brasil correspondem a esse tipo de patologia. Basicamente, há dois tipos de câncer de pele: o não melanoma e o melanoma.  No primeiro caso, os mais comuns são o carcinoma basocelular (surge nas células basais que se encontram nas camadas mais profundas da pele e ocorre com mais frequência) e o carcinoma espinocelular(manifesta-se nas camadas mais superficiais da pele). Já o melanoma é o tipo menos frequente, porém mais agressivo.

Quais são seus principais sinais e sintomas e como é feito o diagnóstico?

Uma ferida que não cicatriza, um sinal ou uma pinta que muda de características (cresce, muda de cor, sangra). É importante que seja valorizada qualquer mudança neste sentido. Quando ela acontecer, a pessoa deve procurar um médico. E já que nem todo mundo tem acesso a um dermatologista, pode ser um clínico geral, em um posto de saúde. Esse profissional vai ter um olhar clínico e, se perceber alguma coisa diferente, vai encaminhar para o especialista adequado. É importante que a pessoa não fique com uma lesão de pele que não sabe o que é sem procurar ajuda médica. Mais importante que operar, passar remédio, é o médico tirar uma dúvida, é esclarecer, dar uma orientação do que o paciente tem que fazer. A Sociedade Brasileira de Dermatologia, por exemplo, orienta que o paciente deve ir pelo menos uma vez ao ano ao dermatologista. Dificilmente uma pessoa vai morrer de câncer de pele. Mas para que isso seja verdade, é importante um diagnóstico precoce. Já perdi paciente por câncer de pele. A pessoa demora a procurar ajuda por desinformação, por dificuldade de acesso à rede de saúde.   Em alguns casos, quando o câncer está muito avançado, nós não conseguimos controlar. O melanoma se espalha com uma grande velocidade e é capaz de dar metástase para o corpo todo, em pouco tempo. Mesmo que a metástase não vá matar a pessoa rapidamente, ela não vai ter mais como curar. Vai conviver com isso. Então, se avança para o pulmão, por exemplo, tira-se parte dele; se está no fígado, a mesma coisa.  A pessoa acaba convivendo com a doença com uma qualidade de vida muitas vezes não muito boa, mesmo que não morra tão rapidamente.  Mas não é só o melanoma que pode se espalhar. Às vezes, o carcinoma espinocelular cresce até mais rápido que o próprio melanoma. E à medida que vai crescendo, ele pode ir se alastrando para outros lugares do corpo.

 

Quais são os principais fatores de risco do câncer de pele?

O principal é a exposições ao sol. Algumas lesões que não cicatrizam exposições à radiação (por exemplo, algum tratamento que necessitou de realização de muitos exames como tomografia, radiografia ou então que alguém que fez tratamento de radioterapia, por algum outro problema). Aquela área exposta à radiação,  pode desenvolver no futuro um câncer de pele.  Mas, reafirmo, o principal fator de risco é o sol.

Existem grupos mais propensos a apresentar um câncer de pele?

Na verdade todos estão propensos. Como na maioria das vezes o câncer de pele está relacionado à exposição ao sol e ela precisa acontecer durante certo tempo, dificilmente há crianças com câncer de pele.  Adulto jovem com a doença, mesmo não sendo comum, pode haver. Mas a faixa etária que é mais propensa é a formada por adultos dos 40 aos 60 anos, que já teve uma maior exposição ao sol.

Quais as melhores formas da pessoa se proteger dessa patologia?

A melhor forma, mais simples e mais fácil é se proteger do sol, usando protetor solar.  Ele tem que ter um fator bem elevado e ser usado nas áreas que mais se expõem ao sol: normalmente braço, rosto, o colo, costas. Esse uso é fundamental. Inclusive, os especialistas batem muito nessa tecla que o protetor solar deveria sim fazer parte da farmácia básica à disposição para que todos possam usá-lo, tendo em vista a importância do câncer de pele. Se a população tivesse acesso ao protetor solar haveria prevenção para que muitos novos casos não ocorressem.  Fora o protetor solar, as próprias pessoas terem noção do que pode virar um o câncer de pele. Às vezes a melhor prevenção é também fazer um diagnóstico cedo.

Quais são os principais tipos de tratamentos para os diferentes tipos de câncer de pele?

Hoje existem vários tratamentos. O melhor, e isso é inquestionável, é a cirurgia que a gente chama de  biópsia excisional porque se tira a lesão toda.  Apesar do câncer de pele ter uma grande chance de cura, não podemos esquecer que é um câncer. Como já falei, o tipo mais comum e menos agressivo é o carcinoma basocelular, que surge das células basais da epiderme, aquelas que estão mais embaixo. Se você não tira da forma correta, ele vai voltar. E isso vai matar o paciente? Não, porque se ele voltar, a pessoa pode se submeter a uma nova cirurgia. Mas tem o inconveniente dese fazer várias cirurgias, sendo algo que poderia ser resolvido de uma vez.  Só que existe perfil de paciente que às vezes se preocupa muito com estética. Não podemos obrigar ninguém a se operar. A pessoa pode testar tratamentos alternativos como fazer uma eletrocauterização – ela queima a lesão e só é indicada para o basocelular que não é tão agressivo – e ficar acompanhando para ver os resultados. Pode também fazer a crioterapia – quando se aplica um nitrogênio líquido gelado e vai tratando, mas não é tratamento padrão. Existe ainda radioterapia (cura um e às vezes faz aparecer outros). Então isso é um consenso: o melhor tratamento é a cirurgia. E por mais simples que ela seja, eu não a faço em consultório. Eu sempre prefiro fazer em centro cirúrgico, porque é melhor para o paciente. Mesmo quando a cirurgia é pequena, não deixa de ser um estresse para ele.  Às vezes, a pressão sobe um pouquinho, há um nervosismo.  Sendo assim, sinto-me mais confortável em fazer no centro cirúrgico.

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