20 Setembro 2017

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Método Canguru busca transformar relações entre família e equipe médica com o objetivo de minimizar o isolamento e conflitos nas Unidades Neonatais

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canguru-fapema1Em todo o mundo, nascem anualmente 20 milhões de bebês prematuros e de baixo peso (menores de 2,5kg). Destes, um terço morre antes de completar um ano de vida. O Método Canguru – Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso – é uma estratégia que busca reverter esta realidade.

O Método Canguru buscar melhorar a qualidade da atenção prestada à gestante, ao recém-nascido e sua família, promovendo, a partir de uma abordagem humanizada e segura, o contato pele a pele (posição canguru) precoce entre a mãe/pai e o bebê, de forma gradual e progressiva, favorecendo vínculo afetivo, estabilidade térmica, estímulo à amamentação e o desenvolvimento do bebê.

O Método Canguru é, portanto, uma tecnologia de saúde que vem mudando o paradigma da assistência neonatal no Brasil, pois amplia os cuidados prestados ao bebê para além de suas necessidades biológicas na perspectiva da clínica ampliada.

Essa abrangência deriva da compreensão de que o sucesso do tratamento de um recém-nascido internado em UTI Neonatal não é determinado apenas pela sua sobrevivência e alta hospitalar, mas que para cada bebê deve ser construído um projeto de cuidado singular envolvendo pais, irmãos, avós e redes de apoio familiar e social.

A Política Nacional de Humanização (PNH) e a Política de Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso - Método Canguru buscam transformar as relações entre família e equipe médica com o objetivo de minimizar o isolamento e conflitos nas Unidades Neonatais (UTIN).

altDentre as ações do Método Canguru, a reunião “Esclarecendo Dúvidas”, realizada no Hospital Universitário Materno infantil da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), acontece para incorporar os aspectos psicossociais às práticas de cuidado em saúde, entendendo que a integralidade do cuidado aos recém-nascidos e suas famílias envolve integração com equipes multiprofissionais trabalhando de forma interdisciplinar.

Além do aspecto assistencial, a presença de alunos de pós-graduação multiprofissional, estende esse olhar para formação centrada no aluno, que visa colocá-los em contato com aspectos da prática nos diferentes ambientes onde a atenção em saúde é exercida, seja no hospital, seja nas unidades básicas de saúde.

De acordo com a médica e coordenadora do projeto, Marynea Silva do Vale, as ações envolvem sempre a dimensão de capacitação e educação permanente dos estudantes e profissionais, assim como a família, onde, a preocupação não é transmitir informações ou orientações, mas, principalmente, escutar as famílias sobre suas angústias e dúvidas e dar a eles um painel de seus direitos, deveres e os meios para alcançar os recursos necessários para atender suas necessidades, sejam quais forem, em relação aos seus filhos.

“O ‘esclarecendo dúvidas’ acontece em forma de roda de conversa e trata-se de uma prática adotada pela equipe da Unidade Neonatal do Hospital Materno Infantil da Universidade Federal do Maranhão, baseada nos pressupostos da Política de Humanização – ‘Humaniza SUS’, com as mães e pais na primeira etapa do Método Canguru, com a finalidade de esclarecer dúvidas sobre condições clínicas, evolução, e demais questionamentos que possam surgir sobre a criança’, explica Marynea Silva do Vale, mestre em Pediatria e Ciências Aplicadas à Pediatria.

Segundo a coordenadora, qualquer profissional de saúde que esteja na roda de conversa, envolve os familiares e inicia uma discussão com a participação dos presentes, respondendo-se individualmente ou coletivamente as dúvidas que surgirem. A participação do médico é essencial para esclarecer temas relacionados a diagnóstico e tratamento.

“A comunicação em saúde é um dos pilares do cuidado adequado e seguro; é um processo de duas vias, que requer tanto fala quanto escuta efetiva na medida em que as famílias possuem suas próprias crenças sobre saúde e doença. Nesse contexto, requer que os profissionais de saúde percebam a perspectiva a partir da qual as famílias estão se expressando e quais as suas reais necessidades em relação ao seu filho, considerando ainda que existe uma comunicação verbal e não-verbal, onde devem ser valorizados expressões, gestos, contato visual e posturas corporais”, diz a coordenadora.

As etapas necessárias para a realização do esclarecendo dúvidas são: preparar o ambiente para receber as famílias, distribuindo as cadeiras em círculo, em número suficiente para as pessoas presentes que podem ser os pais, avós, tias ou qualquer outro membro da família ampliada que queira obter informações sobre o recém-nascido internado.

Todos os familiares e pessoas da rede social de apoio à estas famílias são convidadas a participar. O grupo é estimulado a expressar suas dúvidas e demandas em relação ao seu bebê, enquanto a equipe vai respondendo com vocabulário simples e claro, de forma a esclarecer os questionamentos. Caso seja identificada uma situação específica de um bebê e sua família, é realizada intervenção individualizada, ao final da reunião.

“As famílias sentem-se acolhidas pela atenção recebida e expressam suas dúvidas, que são respondidas de forma simples e clara e irão somar às informações técnicas passadas à beira do leito. A partir desse canal de diálogo e compartilhamento, percebe-se fortalecimento na relação entre equipe e família, com aumento da confiança na assistência, maior adesão ao tratamento e menor nível de stress”, destaca Marynea Silva do Vale.

No estabelecimento desse vínculo é necessário ainda, tentar corrigir com clareza e simplicidade, conceitos distorcidos e aproveitar para fazer educação em saúde que possam melhorar indicadores de morbidades que refletem a manutenção das taxas de prematuridade e mortalidade infantil neonatal precoce.

Com base nessa perspectiva de esclarecer as dúvidas de pais e familiares a respeito do recém-nascido que se encontra na UTI neonatal, toma-se indispensável a construção e fortalecimento do vínculo de confiança entre família e equipe multiprofissional, entre o recém-nascido e a equipe multiprofissional e até mesmo entre família e o recém-nascido, auxiliando na participação dos pais no cuidado do bebê, que é fundamental para reduzir esse estresse do momento.

“Nosso objetivo é proporcionar às famílias e rede social de apoio um momento para esclarecimento de dúvidas sobre o quadro clínico do seu recém-nascido internado e sobre as normas de funcionamento das Unidades de Internação. Esclarecer dúvidas sobre o tratamento realizado pela equipe médica, diagnósticos, resultados de exames, procedimentos realizados e prognósticos médicos, estimular a verbalização de queixas e proporcionar acolhimento às queixas e sugestões das famílias e atender as famílias conforme critérios estabelecidos pela Norma de Atenção Humanizada ao Recém-Nascido, permitindo que outras pessoas além dos pais tenham acesso a informações através do contato direto com a equipe, reduzindo problemas de comunicação e facilitação na resolução imediata de insatisfações”, afirma coordenadora.

O estudo teve como objetivo relatar a experiência do “Esclarecendo Dúvidas” como momento de oportunizar uma aprendizagem efetiva, ajudando as famílias a conhecerem melhor as condições de saúde dos seus filhos, sendo uma ferramenta eficaz na educação em saúde além de ação educativa aos pais e a equipe multiprofissional de uma UTI Neonatal.