Nº 39 – Pesquisa estuda vulnerabilidade quilombola

Nº 39 – Pesquisa estuda vulnerabilidade quilombola
setembro 18 10:40 2020

No covídico cenário em que se está imerso, a pauta dos direitos e dignidade dos negros (e a agressão a eles) conquistou visibilidade após a morte de George Floyd e incendiou ruas e redes com protestos em todo mundo.

Impossível não comparar com o escravocrata Brasil Colonial. Foi o cerceamento à liberdade e à dignidade que levaram negros africanos a fundarem os quilombos. Acampamentos guerreiros na floresta tornaram-se uma resistência ao cativeiro institucional. Hoje, o quilombo é um instrumento de defesa da identidade afrodescendente.

E foi na baixada maranhense que, pela primeira vez, os quilombos foram reconhecidos no Brasil, oficialmente. Frechal, com dois séculos de existência, passou a ter direito legal à terra, identidade e autonomia cultural.
A pioneira reserva extrativista quilombola do país ganhou a capa desta edição pelas lentes da belga Christine Leidgens, por sua representação simbólica. Afinal, a Revista Inovação leva o leitor a apreciar resultados de pesquisas apoiadas por meio do Edital Fapema nº 006/2016 – Igualdade Racial.

Pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) desenvolveram projetos sobre as relações étnico-raciais em busca de alternativas de redução dos indicadores das desigualdades em São Bernardo, Pinheiro e Alcântara. Vem do quilombo, também, Luiz Alves Ferreira, professor aposentado da UFMA (in memoriam), com entrevista concedida ao pesquisador Sílvio Pinheiro. É o resgate de uma história contra o racismo, inclusive sobre o Centro de Cultura Negra do Maranhão que iria, depois, apoiar a luta de Frechal.
As terras quilombolas, como bem de quem lá mora e labuta, também foram objeto da seção Foto Síntese, com trabalho de extensão do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA).

E é na terra, onde se miscigenaram práticas culturais indígenas e africanas, que se desenvolve a agricultura familiar. Esta edição traz pesquisas realizadas por profissionais da UFMA, IFMA e Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) em Paço do Lumiar, Chapadinha, Vargem Grande, Santa Rita, Morros, Presidente Médici, Santa Luzia do Paruá, Maranhãozinho e Arari. O intuito dos trabalhos, apoiados pelo Edital Fapema nº 033/2015, é promover a segurança alimentar e a melhoria de renda de agricultores familiares.

A melhoria das condições sociais perpassa, ainda, pela construção de alternativas que resultem na redução das desigualdades decorrentes das relações de gênero. Foi essa a diretriz dos trabalhos realizados, em S.Luís, Morros, Turiaçu, Duque Bacelar, S.J. dos Patos, Caxias e Balsas por pesquisadores da UFMA e UEMA, com fomento do Edital Fapema 007/2016 – Igualdade de Gênero, cujos resultados ganham visibilidade nesta edição.

E, por fim, os leitores poderão apreciar pesquisas realizadas por profissionais da UFMA, IFMA, UEMA e Universidade CEUMA, em São Luís, Imperatriz, Caxias, Fernando Falcão e Ribamar, com apoio do Edital Fapema Bolsa de Estímulo à Produtividade em Pesquisa. A cadeia do leite, pigmentos cerâmicos, design de embalagens de memórias de urnas eletrônicas, mapeamento genético da fauna, golfão maranhense e propriedades terapêuticas do mel de tiúba e da romã são os temas desses trabalhos.

No mundo líquido das redes e do espetáculo, é primordial dar visibilidade às propostas concretas para a melhoria da realidade do negro, do agricultor familiar e dos que sofrem com desigualdade por gênero.

E, em tempos de pandemia, é necessário, ainda, descolonizar o olhar e perceber que no Maranhão há planejamento, resultados e pesquisas dirigidas ao bem comum aptas à industrialização, a exemplo das desenvolvidas no âmbito da biotecnologia e das engenharias presentes nesta edição.

Boa leitura!

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