Alunos do curso de História da UEMA levam oficinas sobre educação quilombola à comunidade de Alcântara

Alunos do curso de História da UEMA levam oficinas sobre educação quilombola à comunidade de Alcântara
julho 09 15:27 2019

Alunos do 5º período do curso de História da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) realizaram, nesse final de semana, oficinas sobre educação quilombola na comunidade do Cajueiro, em Alcântara. A atividade foi a culminância da disciplina Práticas na Dimensão Curricular no Ensino Médio,  que tem como objetivo inserir os estudantes no convívio escolar.

O professor Henrique Borralho, responsável pela disciplina, explicou que desta vez, a escolha veio de uma demanda local, frente à ameaça de deslocamento de parte destas comunidades, as chamadas agrovilas. “Nós buscamos desenvolver algo que equiparasse a questão quilombola para formação de lideranças, visando o entendimento das questões legais como direito, a titularidade e a posse terra, aliando atividades lúdicas com instrumentalização política”, afirmou.

Para o líder comunitário, Raimundo dos Remédios, a atividade foi de grande importância, sobretudo, para as crianças, pois auxiliou no desenvolvimento de uma consciência crítica. “O conhecimento sobre nossa origem ainda é pouco trabalhado nas escolas, por isso, estamos sempre em busca de parcerias com outras comunidades, bem como universidades, pois além de gratificante, esta troca pode significar nossa perpetuação enquanto comunidade”, declarou.

Brincar e aprender

Entre as atividades realizadas pelos estudantes, estavam as oficinas de bonecas e turbante. Luana dos Anjos diz que a ideia de levar estes elementos surgiu durante o estágio. A estratégia adotada foi brincar para aprender, as crianças aprenderam e ajudaram a produzir a Abayomi, bonecas que as mães africanas faziam durante a viagem no navio negreiro, com retalhos de suas próprias vestes para dar as filha, que serviam como amuleto de proteção.

“A Abayomi era uma forma de resistência, o significado do nome é aquilo que traz felicidade, alegria, então nós quisemos transmitir esse sentimento para as crianças, ensinando e deixando que elas participassem do processo de confecção das bonecas”, explicou Luana.

Quem participou, gostou. Thaís Melo, aluna do 8º ano, diz que pretende levar esse conhecimento para outras crianças. “Achei muito interessante, pois aprendemos coisas da nossa cultura que nós não sabíamos”. Quando questionada sobre a experiência, para a adolescente não resta dúvida. “Todo conhecimento que reunimos é muito precioso, eu não poderia estar mais feliz, pois tenho muito orgulho da minha comunidade, dos antepassados”, enfatizou.

Fonte: ASCOM/UEMA

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