Cientistas estudam anfíbio ‘monstro’ para tratar regeneração de membros

Cientistas estudam anfíbio ‘monstro’ para tratar regeneração de membros
agosto 21 18:04 2009

Pesquisadores no México apostam que capacidade regenerativa do axolotle pode gerar técnicas que ajudem pessoas com membros amputados.

Cientistas da Universidad Nacional Autónoma de Mexico (UNAM) estão estudando a capacidade regenerativa do axolotle – anfíbio com três pares de brânquias externas – para tentar aplicá-la à medicina.

O anfíbio, nativo de alguns canais do Lago Xochimilco, na Cidade do México, tem, segundo especialistas, uma das maiores capacidades regenerativas do planeta, podendo regenerar extremidades completas do corpo até pedaços de cérebro. axolotle

Essa capacidade chamou a atenção de cientistas de várias partes do mundo, que vêm estudando e modificando seu código genético para encontrar formas de ajudar pacientes que tiveram membros amputados ou sofrem de doenças degenerativas como Alzheimer.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos já doou mais de US$ 6 milhões a pesquisas sobre o anfíbio de 20 centímetros de comprimento, com a esperança de que algum dia seja desenvolvida uma tecnologia capaz de ajudar, por exemplo, veteranos de guerra.

“No México, estamos tentando identificar as moléculas que ajudam a regeneração, com o objetivo de extrapolar esta capacidade regenerativa aos humanos”, disse o biólogo Jesús Chimal, pesquisador da UNAM.

“Nas experiências que estamos realizando, às vezes cortamos extremidades dos axolotles e tentamos detectar os fatores que reprimem a regeneração”, diz ele.

Astecas

O anfíbio é um velho conhecido dos mexicanos e é chamado de “monstro aquático” por causa de sua aparência física, semelhante a de um girino gigante, com uma longa cauda e quatro patas.

Os astecas, que comiam axolotles e os usavam na cura de doenças, acreditavam que o animal era a reencarnação do deus do raio fulminante Xólotl, que teria se metamorfoseado para evitar que fosse sacrificado.

Apesar de estar em risco de extinção, o axolotle se reproduz com facilidade em laboratório, principalmente na Alemanha e nos Estados Unidos. Hoje há mais axolotles em cativeiro do que em seu hábitat natural.

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