FAPEMA apoia pesquisa sobre hanseníase infantil e fortalece ações de saúde no Maranhão

Por Tatiana Sales 19 de janeiro de 2026

A Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) tem desempenhado papel fundamental no apoio a pesquisas voltadas ao enfrentamento da hanseníase no estado, uma doença ainda considerada um importante desafio de saúde pública. Ao investir em estudos científicos, a Fundação contribui para a produção de conhecimento, o fortalecimento da formação acadêmica e a melhoria das políticas públicas de saúde, especialmente em áreas mais vulneráveis do Maranhão.

Nesse contexto, a pesquisa “Itinerário terapêutico de crianças com hanseníase em um município hiperendêmico” traz contribuições relevantes para o enfrentamento da doença, ao evidenciar os caminhos, muitas vezes longos e complexos, percorridos por crianças, adolescentes e suas famílias até o diagnóstico e o início do tratamento. Os resultados reforçam a importância do fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, da vigilância ativa e da educação em saúde como estratégias essenciais para o desenvolvimento social e sanitário do estado.

O estudo foi desenvolvido no município de Imperatriz, área considerada hiperendêmica para a hanseníase, pela estudante do último ano do curso de Enfermagem da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Maria Clara Morais Rêgo, sob orientação da professora doutora Maria Aparecida Alves de Oliveira, com apoio da FAPEMA. O financiamento foi decisivo para a viabilização da pesquisa e para o fortalecimento da iniciação científica na universidade pública.

A investigação teve como objetivo conhecer o itinerário terapêutico de crianças menores de 15 anos com hanseníase atendidas na Atenção Primária à Saúde de Imperatriz. O estudo buscou compreender as experiências das famílias considerando seus contextos de saúde, social e cultural. A pesquisa foi realizada entre agosto de 2024 e setembro de 2025, com dados coletados por acadêmicos de enfermagem por meio de entrevistas semiestruturadas com familiares responsáveis pelas crianças e adolescentes em tratamento.

Participaram do estudo 11 crianças e adolescentes, acompanhados por seus responsáveis, 7 mães, 2 pais e 2 avós. Os resultados apontaram falhas importantes no processo de diagnóstico da hanseníase, com registros de diagnósticos incorretos nas Unidades Básicas de Saúde, o que levou a maioria das confirmações a ocorrer apenas no serviço de referência do município. Houve ainda casos em que o diagnóstico foi realizado na rede privada e um em que os sinais da doença foram identificados durante uma ação de saúde no ambiente escolar, ressaltando o papel estratégico das escolas na detecção precoce da doença.

Para a pesquisadora Maria Clara Morais Rêgo, o apoio da FAPEMA foi essencial para a realização do estudo. “O incentivo da FAPEMA possibilitou compreender o percurso enfrentado por muitas famílias até o diagnóstico correto da hanseníase. A pesquisa nos permitiu dar visibilidade a essas trajetórias e reforçar a necessidade de um olhar mais atento para a saúde das crianças e adolescentes em áreas hiperendêmicas”, destacou.

Entre os menores de 15 anos diagnosticadas com hanseníase no município, fatores como baixa renda, baixa escolaridade, famílias numerosas e, em alguns casos, a ausência de um dos pais, dificultam o acesso aos serviços de saúde e a programas assistenciais. Compreender essas realidades permite direcionar de forma mais eficaz ações de vigilância, diagnóstico precoce e educação em saúde.

A orientadora da pesquisa, professora doutora Maria Aparecida Alves de Oliveira, destacou a relevância dos achados do estudo para a saúde pública. “A pesquisa evidencia como o itinerário terapêutico dessas crianças é marcado por atrasos, equívocos diagnósticos e barreiras de acesso aos serviços de saúde. Compreender essas trajetórias é fundamental para qualificar a atuação da Atenção Primária, fortalecer a vigilância em saúde e subsidiar estratégias que garantam o diagnóstico precoce e o cuidado integral de crianças e adolescentes em áreas hiperendêmicas”, afirmou.

A pesquisa dialoga diretamente com o Janeiro Roxo, mês de conscientização e combate à hanseníase, ao reforçar que a doença ainda é um desafio de saúde pública no Maranhão, mas que pode ser enfrentada com informação, políticas públicas eficazes e investimento contínuo em ciência. Ao fomentar estudos nessa área, a FAPEMA cumpre seu papel estratégico no desenvolvimento científico, social e humano do estado, contribuindo para a redução das desigualdades e para a melhoria da qualidade de vida da população.