Pesquisa realizada com apoio financeiro da FAPEMA investiga efeitos de metais em mudas de mangue
Proteger um dos maiores patrimônios naturais do Maranhão e gerar conhecimento capaz de orientar ações de conservação ambiental, saúde pública e desenvolvimento sustentável. Esses são alguns dos impactos da pesquisa de doutorado “Efeitos Ecotoxicológicos e Ecofisiológicos dos Metais sobre a Germinação e o Desenvolvimento de Mudas de Mangue em Viveiros”, desenvolvida pela pesquisadora Josélia Castro da Silva Martins, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), sob orientação da Prof.ª Dr.ª Flávia Rebelo Mochel, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), por meio de bolsa de doutorado.
O estudo investiga como metais como mercúrio, zinco, cobre e bário afetam a germinação e o desenvolvimento inicial de espécies de mangue da região maranhense. A pesquisa busca compreender os impactos da contaminação ainda nas fases mais sensíveis do desenvolvimento das plantas, produzindo informações inéditas que poderão contribuir para a recuperação de áreas degradadas e para a preservação dos ecossistemas costeiros.
Desenvolvido no âmbito das pesquisas coordenadas pela Prof.ª Dr.ª Flávia Rebelo Mochel, referência nos estudos ambientais de ecossistemas costeiros e restauração de manguezais, o trabalho fortalece a produção científica voltada à compreensão dos impactos da poluição sobre os manguezais e à construção de estratégias para sua conservação.
Entre os resultados já alcançados está a aprovação de um artigo científico sobre a contaminação de mudas de mangue por metais e metaloides, que será publicado em revista científica de destaque na área ambiental. A pesquisa identificou uma importante lacuna no conhecimento científico: embora existam estudos sobre árvores adultas em manguezais contaminados, ainda são escassas as pesquisas voltadas à germinação dos propágulos e ao desenvolvimento inicial das mudas em viveiros.

“A pesquisa busca compreender como os metais interferem no desenvolvimento dos mangues desde os seus estágios iniciais de vida. Esse conhecimento é fundamental para aprimorar estratégias de restauração ecológica, proteger nossos ecossistemas costeiros e a saúde humana, garantindo a conservação de um patrimônio ambiental essencial para o Maranhão”, destaca a pesquisadora Josélia Castro da Silva Martins.
O Maranhão abriga aproximadamente 42% dos manguezais brasileiros, segundo a atualização de 2026 do Atlas de Manguezais do Brasil. Além de proteger o litoral contra a erosão e ser a floresta mais eficiente no armazenamento de carbono azul, os manguezais são fundamentais como berçários para diversas espécies marinhas e para a subsistência de comunidades tradicionais, como pescadores artesanais, marisqueiras e catadores de caranguejo.
Ao gerar conhecimento sobre os efeitos da contaminação por metais, a pesquisa contribui diretamente para a proteção da biodiversidade, para a saúde e segurança alimentar das populações costeiras e para a formulação de políticas públicas voltadas para a conservação e recuperação ambiental. Os resultados poderão subsidiar protocolos de restauração de manguezais degradados, estabelecer parâmetros de monitoramento ambiental e fortalecer ações de educação ambiental em comunidades da zona costeira.
Para a pesquisadora, o apoio da FAPEMA tem sido decisivo para o avanço do trabalho. “A bolsa de doutorado concedida pela FAPEMA possibilita dedicação à pesquisa e fortalece a formação de recursos humanos qualificados. Investir em ciência é investir em soluções para os desafios do Maranhão e na construção de um futuro mais sustentável para o nosso estado”, afirma.
Com experimentos em andamento e novos artigos científicos previstos para os próximos anos, a pesquisa reforça o papel da ciência maranhense na produção de soluções inovadoras para a conservação dos manguezais e na valorização de um dos mais importantes patrimônios naturais do Maranhão.