Aedes aegypti: Estudo faz levantamento epidemiológico de casos de dengue em São Luís

Aedes aegypti: Estudo faz levantamento epidemiológico de casos de dengue em São Luís
dezembro 22 12:08 2015

0aedes-mosquitoA cada ano cresce a preocupação no Brasil sobre uma possível epidemia de dengue. Isso porque o país, por ser tropical, reúne condições favoráveis para a proliferação do mosquito transmissor. O Aedes aegypti se desenvolve em temperaturas acima de 20º C, sobretudo entre 30º C e 32º C. E há uma relação direta entre as chuvas e o aumento do número de vetores, principalmente entre os meses de janeiro e maio.

Nos últimos 20 anos, o Brasil sofreu várias epidemias de dengue e a região Nordeste foi uma das mais afetadas. Em 2011, foi notificado no Maranhão a circulação do sorotipo 4, tendo a maioria dos casos ocorrido em São Luis. Contudo, é pequeno o número de estudos sobre dengue em São Luis, tornando necessário um levantamento epidemiológico mais abrangente para mensurar o número de casos nos sete distritos sanitários que compõem o município de São Luís.

Diante disso, pesquisadores da Universidade Ceuma realizaram uma pesquisa com o intuito de realizar um levantamento epidemiológico de casos de dengue na capital maranhense, São Luís, no período de 2002 e 2012. Para realização do estudo – que contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), por meio do Programa de Bolsas de Iniciação a Extensão – foram coletados dados da Secretaria Municipal de Saúde de São Luis, através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).

De acordo com a coordenadora da pesquisa, Rosa Maria Quaresma Bomfim, um total de 21.986 casos de dengue foi notificado ao sistema de vigilância epidemiológica, o que correspondeu a 34,3% dos casos notificados no Estado do Maranhão, durante o período estudado. A faixa etária mais atingida foi a de 20 a 49 anos, sem predomínio de sexo.

“Um número muito grande de casos deixa de ser confirmado devido a diferentes fatores, como por exemplo, problemas no processamento e transferência das informações e a ausência de uma retroalimentação adequada da fonte notificadora, gerando uma descontinuidade do processo”, explica Rosa Maria Quaresma Bomfim, doutora em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A dengue é uma doença de caráter sazonal, ocorrendo com maior frequência entre os meses de janeiro a junho, quando fatores ambientais propiciam o aumento da densidade vetorial.

Segundo a pesquisadora, observou-se uma correlação entre os casos de dengue registrados e as condições meteorológicas, como pluviosidade, temperatura e umidade do ar. “A incidência de casos de dengue no município de São Luís, no período avaliado, flutuou com essas variáveis climáticas. Ou seja, foi observada uma estreita relação entre o número de casos de dengue e as condições meteorológicas”, afirma Rosa Maria Quaresma Bomfim.

A coordenadora afirma que a população descuida quando o número de casos de dengue cai. Sendo que o problema precisa estar sempre em evidência na mídia para que as pessoas não se esqueçam de cuidados simples, porém básicos, tais como: a eliminação de água parada em reservatórios que acumulam água, como vasilhames plásticos, vidros, garrafas, pneus, pratinhos de plantas, limpeza e cobertura da caixa d’água.

“Creio que as campanhas publicitárias de orientação à população deveriam ocorrer o ano todo, principalmente antes da ocorrência dos surtos. Mas, observa-se que as campanhas ocorrem ostensivamente durante estes surtos”, ressalta Rosa Maria Quaresma Bomfim.

A pesquisadora destaca que os ovos da fêmea do mosquito Aedes aegypti, principal transmissor do vírus da dengue em regiões urbanas, podem sobreviver no ambiente por até 450 dias fora d’água. Esses ovos podem eclodir ao primeiro contato com a água, logo a eliminação de focos do vetor é de suma importância, uma vez que o mosquito tem hábitos domésticos.

O estudo observou – com relação ao índice de infestação predial pela larva do mosquito Aedes aegypti – uma distribuição desigual durante o período estudado, sendo que nos anos de 2002, 2003, 2004, 2006, 2007 e 2011 foram registrados os mais altos índices de infestação de residências no município de São Luís.

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