Estudante maranhense é vencedor de Prêmio do CNPq

Estudante maranhense é vencedor de Prêmio do CNPq
outubro 26 19:20 2010

cnpqO estudante maranhense Rogério da Silva Logrado Júnior, 15 anos, do 2º ano do ensino médio da Escola Crescimento, é um dos vencedores da 24ª edição do Prêmio Jovem Cientista. Ele ficou em 2º lugar na categoria estudante do ensino médio com um projeto de uma central hidrelétrica, que gera energia limpa e barata, sem a necessidade de construir barragem. A ideia surgiu do problema enfrentado pela população ribeirinha do rio Itapecuru.

Durante uma discussão sobre qual seria seu projeto para a Feira de Ciências de 2009, Rogério Logrado já pensava com ousadia: projetar uma usina hidrelétrica para atender aos moradores que viviam à beira do Rio Tocantins. Como a proposta mostrou-se inviável, Rogério optou por estruturar uma central elétrica flutuante, utilizando hélices com funcionamento à base de energia cinética. “Novamente, tive que rever os estudos, porque o Rio Tocantins tem muitos sedimentos. Então substituí as hélices pela roda d’água, que já era utilizada na região para outros fins”, afirma o estudante.

Posteriormente, o projeto iniciado no município de Imperatriz foi transferido para a capital São Luís. “Como nós nos mudamos, trouxe comigo a pesquisa. Queria dar continuidade ao projeto e escolhi o Rio Itapecuru para isso. Minha principal preocupação sempre foi conseguir gerar energia de uma forma limpa, sustentável e acessível para todos”, explica.

 

O método criado por Rogério consiste na montagem de uma balsa de 64 células, cada uma com seis garrafas PET (politereftalato de etileno) de dois litros, que permitem a flutuação da central, ligadas a outras quatro garrafas cheias de cimento para dar mais estabilidade – que se unem a uma roda d’água, de ferro ou madeira, ligada a uma série de polias. O princípio funciona graças a um gerador magnético monofásico, que produz energia suficiente para abastecer uma geladeira comum.

Com relação aos possíveis problemas de oscilação de voltagem e queda de amperagem, o aluno solucionou a questão instalando seis baterias de 12 volts de carro, que serviram como fonte de reserva caso o gerador estivesse desligado, e incluiu um estabilizador que manteve a voltagem em 220 Volts, evitando assim a queima dos eletrodomésticos. Para combater o problema da maresia, Rogério decidiu suspender as instalações elétricas utilizadas e pintá-las com metal de sacrifício (magnésio), numa tentativa de evitar a corrosão e aumentar a durabilidade.

Para o jovem, ver seu o trabalho conquistando o segundo lugar na categoria ensino médio é um reconhecimento muito grande. “Uma vitória muito importante para mim e para todos aqui na região. Espero conseguir, com esse prêmio, um patrocínio e fazer o projeto acontecer. A central poderia ser usada como fonte energética secundária, não só no Maranhão, mas em outros Estados. Cheguei a construir uma maquete e demonstrei que a pesquisa é totalmente viável”, argumenta.

Os vencedores do 24º Prêmio Jovem Cientista foram anunciados nesta terça-feira (26), durante uma entrevista coletiva realizada na sede do CNPq, em Brasília.

Prêmio Jovem Cientista

Criado em 1981 e fruto de parceria entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Gerdau e a Fundação Roberto Marinho (FRM), o Prêmio Jovem Cientista tem o objetivo de incentivar a pesquisa no Brasil. A iniciativa é considerada, pela comunidade científica, uma das mais importantes premiações do gênero na América Latina. A entrega da premiação é feita pelo Presidente da República e reúne na cerimônia autoridades governamentais na área da Ciência e Tecnologia, além dos mais respeitados nomes da ciência brasileira.

Os temas escolhidos são sempre de interesse da população e buscam soluções para problemas nacionais. Alguns dos assuntos abordados em anos anteriores foram: “Qualidade dos alimentos e saúde do homem”, “Reciclagem de rejeitos industriais”, “Saúde da população e controle de endemias”, “Oceanos: fonte de alimentos”, “Saúde da População – controle da infecção hospitalar” e “Educação”.

Mais informações: www.jovemcientista.org.br ou pelo twitter/jovemcientista

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