Estudo analisa a socialização das pessoas com deficiência no mercado de trabalho

Estudo analisa a socialização das pessoas com deficiência no mercado de trabalho
agosto 27 20:15 2015

0deficiencia-organizacoesA participação das pessoas com deficiência no mercado de trabalho foi regulamentada por lei federal, que estabelece que organizações públicas e privadas devem contar com essa força de trabalho. Contudo, sabe-se que a inclusão é apenas a primeira etapa do processo, a socialização é uma conquista conjunta, na qual empregador e empregado trabalham para estabelecer um espaço comum de aceitação e participação. Diante disso, a pesquisadora Laise Cristine Melo, decidiu analisar a socialização das pessoas com deficiência nas organizações.

A instituição pública escolhida para análise foi o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), em São Luís. Segundo Lais Cristine Melo, bolsista de iniciação científica pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), o estudo tem como objetivo verificar as políticas que a instituição apresenta para receber e inserir as pessoas com deficiência, além de avaliar o impacto das possíveis barreiras encontradas pelas pessoas com deficiência na contratação e realização do trabalho.

As análises são feitas a partir de entrevistas com o Gestor de Recursos Humanos (RH), com os chefes imediatos dos setores nos quais as pessoas com deficiência estão lotadas e seus colegas de trabalho.

“Fazemos perguntas que possibilitam uma visão abrangente. Avaliamos questões relativas à forma de perceber a pessoa com deficiência e seu desempenho na organização, além de considerações sobre seu trabalho, sua formação e seu relacionamento com os demais colegas, a existência ou não de políticas institucionais para dar suporte ao trabalho deles e outros fatores que pudessem interferir no processo de socialização”, explica Lais Cristine Melo.

De acordo com a pesquisadora, de um lado, há aqueles que veem o deficiente como incapaz de exercer qualquer atividade, por isso o tratam de forma áspera, isolando-o e relegando a segundo plano, não delegando nenhuma tarefa. Em oposição a isso, há aqueles que acabam supervalorizando qualquer participação, por mínima que seja, da pessoa com deficiência, como se fosse algo extraordinário.

“Ora, isso nada mais é do que vê-la como incapaz! A melhor forma de socializá-las é tratá-las como elas são, com as competências e características próprias da deficiência, lotando-as em um setor, no qual serão capazes de cooperar efetivamente com a empresa”, ressalta a bolsista.

Com a pesquisa deseja-se revelar a existência de recortes e percepções referentes ao processo de socialização inerente à pessoa com deficiência. “Deseja-se conferir se a lei propicia práticas de socialização que se unem com as expectativas dos agentes envolvidos. O estudo deste fenômeno é relevante, pois, oferecerá uma análise sintética de um estudo de caso que poderá servir de base para outros estudos”, diz Lais Cristine Melo.

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