FAPEMA e Instituto Tukán discutem ampliação de parceria para consolidar primeira universidade do Brasil em território indígena

Por Sandra Viana 12 de maio de 2026

Com apoio do Governo do Maranhão, a iniciativa pioneira fortalece a democratização do ensino superior ao integrar ciência, tecnologia e saberes ancestrais em um modelo acadêmico construído a partir da realidade e das demandas dos povos originários.

O projeto de implantação da primeira Universidade Indígena em território tradicional no Brasil entra em uma nova etapa. Durante reunião nesta terça-feira (12), entre o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), Nordman Wall, o presidente do Instituto Tukán e idealizador da proposta, Silvio Santana da Silva e a diretora Executiva do Instituto Tukán, Fabiana Guajajara a demais representantes do Instituto, foi discutida a ampliação da parceria para a próxima fase do projeto. A universidade é pioneira por ser a primeira do país em território indígena e terá sua grade curricular pautada nos conhecimentos, vivência e demandas destas comunidades tradicionais.

“Esse alinhamento será decisivo para garantir que o ensino superior dialogue com as necessidades específicas dos povos originários. A Universidade Indígena é uma iniciativa de extremo simbolismo e significado, que se tornará um marco na educação e um legado para o povo indígena”, pontua o presidente da FAPEMA, Nordman Wall. Ele acrescentou ainda que este é um projeto que tem a atenção especial do Governo do Estado e envolve outros órgãos e secretarias estaduais e que a iniciativa pioneira fortalece a democratização do ensino superior ao integrar ciência, tecnologia e saberes ancestrais em um modelo acadêmico construído a partir da realidade e das demandas dos povos originários.

O projeto já avançou expressivamente desde o início da implantação, há 18 meses, observa o presidente do Instituto Tukán, Silvio Santana. Entre as metas, a concretização do Projeto de Desenvolvimento Institucional (PDI), que incluiu a realização de quatro audiências públicas no território. “Essa etapa foi finalizada com sucesso. A Universidade Indígena transpassa o que a gente sonha. Pensar em uma universidade que começa no território, que é o Território Arariboia, mostra o cuidado e respeito com a cultura, a história e a importância do povo indígena. Esse projeto alcança e impacta em várias comunidades indígenas e é um orgulho vermos crescendo e ganhando forma”, destaca.

Também participaram da reunião, a coordenadora do Jurídico da FAPEMA, Laís Ribeiro; a diretora Jurídica do Instituto Tukán, Isabela Pearce; e a diretora executiva do Instituto Tukán e liderança indígena do Território Arariboia, Fabiana Guajajara.

Fabiana destacou que este é um momento decisivo para consolidar o modelo de funcionamento da instituição. “Esta nova fase prevê a participação ativa de universidades e demais instituições parceiras na construção coletiva da proposta pedagógica da universidade indígena”, reiterou Fabiana Guajajara.

Para a próxima fase do projeto e atividades que serão desenvolvidas, a proposta é envolver mais instituições parceiras. “Juntos, construiremos, de forma colaborativa, tudo o que será aplicado na universidade indígena e para isso, é fundamental reunir com as universidades e outras instituições a fim de elaborar a grade curricular”, enfatizou Fabiana Guajajara.

Pioneirismo

Fruto da parceria Governo do Maranhão, por meio da FAPEMA, e o Instituto Tukán e considerada iniciativa pioneira no Brasil, a Universidade Indígena atende a uma demanda histórica destas comunidades. Os primeiros cursos da instituição começaram a ser definidos a partir das escutas públicas realizadas no ano passado, junto às comunidades indígenas do território.

Durante as consultas às comunidades indígenas, foram debatidas demandas relacionadas ao monitoramento e proteção territorial, segurança, produção de alimentos, medicina tradicional, formação de professores e produção de materiais de apoio. A proposta da universidade é integrar o ensino formal ao conhecimento ancestral, sem desvalorizar as tradições e práticas culturais dos povos indígenas.

Fabiana Guajajara enfatizou a importância do apoio da FAPEMA para concretização da iniciativa. “A FAPEMA garante todas as condições logísticas e suporte para o desenvolvimento do projeto, além da credibilidade que a Fundação confere e que já nos possibilitou captar novos parceiros para este projeto, ultrapassando fronteiras internacionais”, concluiu.