Fundações vão aprimorar trabalho de difusão e popularização da ciência nos Estados

Fundações vão aprimorar trabalho de difusão e popularização da ciência nos Estados
novembro 21 15:31 2017

Assessores das FAPs e de universidades, professores e jornalistas participaram do encontro. Foto: Núbia Rodrigues.

Representantes de dez Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs), jornalistas, professores e assessores de comunicação ligados a instituições de ensino e pesquisa científica estiveram reunidos neste mês para debater maneiras de melhorar o trabalho de difusão da ciência e de aproximação das academias e instituições com a sociedade. As discussões foram realizadas em Goiânia (GO), no Encontro Nacional de Comunicação da Ciência, promovido pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), dentro da programação do Fórum Nacional do Confap, realizado de 8 a 10 de novembro.

O objetivo principal foi discutir como a comunicação e a difusão científica têm sido tratadas no País, bem como apresentar cases de sucesso e novas ferramentas de comunicação aos participantes. Na abertura do evento, o coordenador de Comunicação Social do Confap e da Fapeg, Renan Rigo, membro da comissão organizadora do evento, deu boas-vindas aos presentes, em nome da presidente do Confap e da Fapeg, professora Maria Zaira Turchi, e destacou a importância em se qualificar cada vez mais os profissionais que trabalham na área da ciência.

Coordenador de Comunicação Social do Confap e da Fapeg, Renan Rigo. Foto: Núbia Rodrigues.

“O Brasil vive um  momento muito peculiar em que a ciência precisa ser evidenciada para a sociedade. É preciso mostrar o importante papel que a ciência desempenha para que a sociedade valorize seus esforços e passe a cobrar políticas públicas de investimento na área. E para isso, precisamos ter uma comunicação da ciência forte, com profissionais capacitados e atuantes”, explicou. “Nesse sentido, a ideia aqui é fazermos essa discussão em nível nacional, por meio das Fundações de Amparo à Pesquisa nos Estados, lideradas pelo Confap, para que possamos cada vez mais criar redes de comunicação científica integradas entre si, com as universidades, centros de pesquisa e com os veículos de comunicação”, destacou.

Palestras
Dentro da programação do encontro, foram realizadas cinco exposições de jornalistas, professores e pesquisadores convidados ligados à área de difusão da ciência. A primeira palestra foi ministrada pela coordenadora de Comunicação da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), Vanessa Fagundes, com a temática “Divulgação Científica – desafios, oportunidades e lições aprendidas”. A jornalista fez um breve panorama da questão da comunicação da ciência no Brasil e destacou o trabalho que tem sido desenvolvido em Minas Gerais nesta área.

Coordenadora de Comunicação da Fapemig, Vanessa Fagundes. Foto: Núbia Rodrigues.

“Apesar dos cortes de recursos na área de ciência e tecnologia, existe um cenário interessante para quem trabalha com comunicação científica e podemos ver isso, além das FAPs, no que sinalizam as agências de fomento federais”, explicou ao ressaltar que o CNPq dispõe de um espaço na Plataforma Lattes para que pesquisadores insiram atividades na área de Difusão Científica. Ela relatou, ainda, que na Fapemig, em todos os editais lançados, desde 2016, é exigido que o pesquisador entregue um pitch – um vídeo de curta duração, em que ele explica os resultados da pesquisa fomentada. “Desde o início do projeto os pesquisadores têm que se preparar para entregar um produto de comunicação que será utilizado depois e será disponibilizado para qualquer pessoa que tenha interesse”, sublinhou.

Ela ainda deu destaque a prêmios nacionais e internacionais que têm sido realizados na área de comunicação, como Famelab e Euraxess Science Slam, que premiam pós-graduandos com habilidades de comunicação. “Isso tudo nos apresenta um cenário muito interessante, porque motiva os pesquisadores a se especializarem e se aprimorarem nessa área da comunicação e abre também oportunidade para que nós, das assessorias de comunicação, possamos estreitar os relacionamentos e os auxiliarmos no que for preciso”, afirmou. Vanessa Fagundes também explicou o funcionamento do projeto Minas Faz Ciência, que tem se destacado no Estado, e como foi criada a Rede Mineira de Comunicação Científica.

Era digital

Dando sequência ao encontro foram realizadas duas exposições com menções a novas ferramentas e aos desafios da comunicação da ciência na era digital. A coordenadora do Laboratório de Convergência de Mídia da UniBH e consultora nas áreas de novas tecnologias e narrativas transmídia em jornalismo, professora Lorena Tárcia, apresentou o tema “Tendências do jornalismo e da difusão científica em ambientes digitais”, com exemplos de recursos midiáticos inovadores e aplicações de softwares automatizados na produção de conteúdo jornalísticos.

Professora Lorena Tárcia. Foto: Núbia Rodrigues.

“Algumas dessas possibilidades ainda estão longe das nossas realidades, mas temos que conhecê-las e testá-las”, sinalizou. O material apresentado incluía, entre as tendências, Crowdsourcing (narrativas construídas a partir de informações oriundas de diversos veículos ou fontes); Crowdfunding (financiamento coletivo de reportagens de ciência); Jornalismo de Dados, uso de robôs e de Inteligência Artificial; Comunicação atrelada à Internet das Coisas; Jornalismo Móvel e Narrativa Geolocalizada; e Gamificação da Comunicação. Também foram abordadas técnicas do uso de Realidade Aumentada; Jornalismo de Imersão; Streaming e Live Blogging.

Em seguida, o coordenador do Media Lab/UFG e Media Lab/Br – Laboratório de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação em Mídias Interativas, professor Cleomar Rocha, prosseguiu no Encontro com a palestra “Especificidades e convergências nas mídias – comunicação científica”. De acordo com o coordenador, esse é um tema que tem sido discutido em todas as universidades e agências que trabalham com ciência e tecnologia.

Professor Cleomar Rocha. Foto: Núbia Rodrigues.

“Estamos preocupados em levar a população a descobrir o que é ciência, sendo que nós vivemos em uma era do conhecimento. A sociedade hoje é uma invenção da ciência, do conhecimento. Se precisamos de pratos fundos para alimentar oito bilhões de pessoas no mundo, só com o desenvolvimento científico poderemos suprir”, salientou. Durante a palestra, ele explicou que, diferente do que muitos pensam, tecnologia não é aparelho tecnológico. É o conhecimento que se tem entre processos técnicos, validado pela ciência. Nesse sentido, para o professor Cleomar, a informação é a chave da nossa sociedade. “Não se faz ciência apenas em laboratório, se faz ciência para um laboratório gigantesco chamado sociedade”, pontuou.

Mensuração de dados e fortalecimento de parcerias

Durante a tarde do Encontro, realizado no dia 8, a gerente adjunta de Comunicação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Cláudia Izique, abordou a questão dos “Desafios de ampliar os canais de divulgação de informações científicas e de mensurar resultados”. Durante a palestra, ela afirmou que o primeiro e principal desafio enfrentado pela comunicação de uma agência de fomento à pesquisa científica, tecnológica e de inovação não é apenas de caráter tecnológico, mas também de como trabalhar com um conteúdo tão específico.

Cláudia Izique, da Fapesp. Foto: Núbia Rodrigues.

Cláudia explicou que a divulgação científica na Fapesp está estruturada em dois grandes blocos: a Agência Fapesp e a Revista Pesquisa Fapesp. Elas discorreu sobre como foi estruturada toda a comunicação da agência de fomento e sobre como foram e têm sido vencidas as barreiras de se comunicar ciência. A gerente adjunta ressaltou que várias ações são feitas no sentido de dinamizar a informação e de aproximar a Fundação dos veículos de comunicação tradicionais, oferecendo conteúdo de qualidade e abrindo espaço para a popularização da ciência.

 

Professor Ildeu de Castro, da SBPC. Foto: Núbia Rodrigues.

Encerrando o Encontro Nacional de Comunicação da Ciência, o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro Moura, apresentou “O papel da comunicação pública da ciência e tecnologia na relação Ciência & Sociedade”. Segundo o professor, “a comunicação pública da ciência é um instrumento essencial na construção de uma cultura e de uma cidadania científica nos brasileiros”. Ele apresentou uma trajetória resumida da história da ciência e de importantes personalidades científicas mundiais e alertou sobre a situação dramática da ciência e tecnologia no Brasil em termos de recursos. Nesse sentido, destacou o esforço da comunidade científica mundial em mostrar a importância do investimento em ciência e da aproximação com a imprensa, para que esse retorno tenha mais eficácia e alcance.

Universidades e instituições de pesquisa

Além dos assessores das FAPs, o público que esteve presente no evento – jornalistas, professores e assessores de comunicação de centros de pesquisa – deu um feedback positivo ao final das apresentações. Para a jornalista, Marília Almeida, que é assessora da TV UFG, o evento foi muito importante, sobretudo pelo fato dela lidar diariamente com a comunicação da ciência. “O Encontro não só me ajudou como jornalista, mas também como cidadã. É imprescindível na nossa sociedade discutirmos a importância do conhecimento científico”, destacou.

Concorda com ela a relações públicas da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Letícia Cruz, que ressaltou que o evento foi muito interessante no sentido de pontuar os desafios que a ciência tem enfrentado e apresentar meios de melhorar essa comunicação. “São ferramentas e visões que vão nos ajudar a preservar não só a qualidade do trabalho científico, mas também a imagem das instituições que trabalham com ciência”, analisou.

Público presente no evento. Foto: Núbia Rodrigues.

Proposta de Comunicação das FAPs

Ao final das palestras, os assessores de comunicação das FAPs se reuniram para discutirem as experiências de cada uma das Fundações e elaborarem em conjunto uma sugestão de Plano de Comunicação para o Confap/FAPs. As sugestões foram reunidas e levadas aos presidentes das FAPs, durante o último dia do Fórum Nacional do Confap.

Os resultados do Encontro de Comunicação Científica e as sugestões do plano foram apresentados pelo coordenador de Comunicação do Confap, Renan Rigo, que também destacou o papel das assessorias de comunicação no processo de fortalecimento das entidades e da ciência perante a sociedade. O jornalista mostrou aos presentes um mapa da comunicação das assessorias das FAPs, atividades já realizadas e as sugestões de estratégias elencadas para a melhoria dessa comunicação.

Apresentação das sugestões para os presidentes das FAPs. Foto: Núbia Rodrigues.

A presidente do Confap e da Fapeg, Maria Zaira Turchi, ressaltou a importância estratégica das Assessorias de Comunicação para as Fundações e acolheu as sugestões para análise e deliberação. Diversos presidentes de FAPs discorreram sobre as experiências de comunicação em seus Estados e destacaram a importância em se fortalecer este setor.

Participaram do Encontro Nacional de Comunicação da Ciência e da construção do plano, Renan Rigo (Fapeg/Confap); Núbia Rodrigues, Letícia Santana e Helenice Ferreira (Fapeg); Heloísa Dallanhol (Fapesc); Maristela Sena e Leidyane Ramos (Fapema); Diogo Rondon (Fundect); Adriana Freitas (Fapitec); Vanessa Fagundes (Fapemig); Cláudia Izique (Fapesp); Helda Suene (Fapesq); Palloma Spala (Fapes); e Michelly Samia (Fapepi).

Reunião dos representantes das assessorias de comunicação das FAPs. Foto: Núbia Rodrigues.

 

Coordenação de Comunicação Social do Confap e Assessoria de Comunicação Social da Fapeg.

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