Pesquisa estuda as condições de acessibilidade urbana em São Luís para a pessoa com deficiência física

Pesquisa estuda as condições de acessibilidade urbana em São Luís para a pessoa com deficiência física
janeiro 05 13:23 2017

acessibilidade-saoluis1Com o crescimento das cidades, nas últimas décadas, tem-se verificado os múltiplos problemas oriundos da desorganização espacial, tais como: congestionamentos intensos, poluição sonora, visual e ambiental, aumento de veículos individuais e a precariedade dos transportes coletivos nas cidades de grande e médio porte. Atrelados a estes aspectos cita-se ainda um grande número de cidadãos brasileiros que apresentam sérios problemas de mobilidade reduzida ou algum tipo de deficiência.

O Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 45,6 milhões de pessoas declararam ter ao menos um tipo de deficiência, o que corresponde a 23,9% da população brasileira. A maior parte delas vive em áreas urbanas – 38.473.702, ante 7.132.347 nas áreas rurais. E mostra ainda que são muitas as desigualdades em relação aos sem deficiência. A deficiência visual foi a mais apontada, atinge 18,8% da população. Em seguida vêm as deficiências motora (7%), auditiva (5,1%) e mental ou intelectual (1,4%).

Em São Luís, há uma população residente com mais de 320 mil pessoas com deficiência visual, auditiva, motora ou mental/intelectual. Destes, 55 mil têm deficiência motora. Diante disso, pesquisadores da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), desenvolveram um estudo com o intuito de analisar as condições de acessibilidade urbana, em São Luís, para a pessoa com deficiência física, analisando a área central da capital maranhense.

A pesquisa, coordenada pela doutora em Geografia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e professora do curso de Geografia da UEMA, Hermeneilce Wasti Aires, tem como objetivo discutir o conceito de cidade acessível a partir da realidade de São Luís, além de analisar comparativamente a evolução das condições de acessibilidade na área central da capital para a pessoa com deficiência física. Sendo essa região escolhida para o estudo pelo fato de se destacar pela sua importância econômica e pela grande movimentação de pessoas diariamente.

acessibilidade-saoluis2“Sempre fui interessada em estudar temas que envolviam o espaço urbano. As discussões em sala de aula com os alunos da graduação levaram-me a refletir a respeito da temática em questão. Tive dois alunos na graduação que tinham deficiência física e sempre me relatavam a dificuldade em transitar pela cidade e chegar até a nossa instituição. Também conheci uma aluna na pós-graduação que desenvolveu a Síndrome de Guillain-Barré, que me relatou como as dificuldades no transporte público e a apropriação dos espaços urbanos era difícil para ela. Para as pessoas que não têm problema de mobilidade, em alguns momentos torna-se difícil transitar pela cidade, imagine para uma pessoa idosa ou com algum tipo de deficiência ou que tenha mobilidade reduzida. As prováveis ‘soluções’ para resolver o problema da acessibilidade, pelo poder público, são muito pontuais e, ainda, não resolvem o problema de forma coletiva e satisfatória. Precisamos avançar”, explica a pesquisadora.

De acordo com Hermeneilce Wasti Aires, inicialmente foi realizada uma pesquisa da literatura necessária ao tema proposto. Após essas leituras, foi necessário aproximar a teoria da prática a fim de verificar, por meio de análise e estudo da capital maranhense, autores que estudam São Luís. A leitura do Plano Diretor da cidade foi também um importante instrumento para a compreensão da dinâmica territorial desse espaço.

“Por meio da pesquisa qualitativa, com fontes orais, buscamos compreender a história de vida dos cadeirantes que freqüentam a área central da cidade. Na coleta de dados com os sujeitos cadeirantes, foram utilizados roteiros de entrevistas semi-estruturadas. Com as informações fornecidas pelos cadeirantes dos seus trajetos diários, construímos com a ajuda de um GPS as rotas com as distâncias percorridas por cada um deles. A documentação fotográfica também foi elemento utilizado para a caracterização do meio físico, dos aspectos paisagísticos naturais e da influência de barreiras físicas em pontos estratégicos das vias públicas”, detalha a professora.

Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), os pesquisadores compraram alguns equipamentos para o nosso laboratório de pesquisa e participaram de eventos nacionais e internacionais apresentando os resultados do trabalho.

“Penso que isso é fundamental para dar visibilidade ao que está sendo construído por nós. E a experiência acadêmica para os nossos alunos também é muito significativa. Este projeto já foi finalizado, mas submetemos outro projeto ao Edital Universal da Fapema, com a temática voltada para a acessibilidade no transporte coletivo. Esperamos que nosso projeto seja aprovado para darmos continuidade a um tema tão relevante quanto a acessibilidade”, destaca Hermeneilce Wasti Aires.

Segundo a coordenadora, os resultados foram alcançados dentro dos objetivos propostos pela pesquisa, uma vez que ela já foi encerrada. No entanto, a pesquisadora ressalta que a sensibilização da população e dos gestores públicos já é algo significativo para se começar a pensar em uma cidade menos fragmentada e mais igualitária, para que pessoas com deficiência possam ter mais autonomia ao transitar pelas ruas.

Hermeneilce afirma que são inúmeras as dificuldades encontradas nas condições de acessibilidade urbana em São Luís. “Penso que os problemas que envolvem a acessibilidade vão além do transporte público. Esse meio de transporte pode ser até adaptado, mas o cadeirante precisa sair de casa e chegar até o ponto de ônibus e se nós observarmos, a cidade, o ponto de ônibus, as áreas de lazer, a rua, a praça, não são adaptados. Portanto a acessibilidade precisa ser construída de forma contínua”, diz a pesquisadora.

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