Pesquisas maranhenses ampliam estudos para prevenção, diagnóstico e enfrentamento do câncer de mama

Por Vitória Castro 6 de outubro de 2026

No mês da Campanha do Outubro Rosa, pesquisas apoiadas pela FAPEMA são destaques da edição deste mês da Revista Inovação

Estudos que buscam auxiliar na interpretação de exames até estratégias de prevenção, análise da mortalidade e novas possibilidades de aplicação da nanotecnologia no tratamento do câncer de mama tem mobilizado pesquisadores maranhenses de diferentes instituições de ensino e em diferentes regiões. As pesquisas são apoiadas apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) investigam ferramentas.

Entre as pesquisas, que fazem parte de reportagem especial da Revista Inovação, estão iniciativas que utilizam inteligência artificial para auxiliar na análise de imagens de ultrassonografia, tecnologias educacionais para fortalecer a prevenção e o cuidado, ferramentas de geoprocessamento para compreender a distribuição da mortalidade por câncer de mama no estado e pesquisas com nanopartículas de ouro que podem abrir novas possibilidades para aplicações biomédicas.

Uma dessas iniciativas é desenvolvida pelo pesquisador João Otávio Bandeira Diniz, do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) – Campus Grajaú. O projeto “Métodos computacionais baseados em inteligência artificial para detecção e diagnóstico de câncer de mama por ultrassonografia” associa processamento de imagens médicas, redes neurais e aprendizado profundo. A proposta é desenvolver uma ferramenta de suporte à decisão clínica capaz de auxiliar profissionais na interpretação das imagens. A tecnologia não substitui a avaliação médica, mas pode funcionar como uma espécie de “segundo par de olhos”, identificando padrões que mereçam maior atenção.

Métodos para classificação de ultrassom

Em Imperatriz, outra pesquisa investiga o uso de tecnologia educacional como estratégia para fortalecer a prevenção e o cuidado. O aplicativo MamaPrev, desenvolvido no âmbito da pesquisa do pesquisador Aldo Lopes da Costa Júnior, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), reúne informações que podem auxiliar profissionais de saúde na avaliação do risco das pacientes e no direcionamento de condutas relacionadas ao rastreamento e à detecção precoce. A pesquisa avançou para uma nova etapa no doutorado, na qual será avaliado o potencial da tecnologia como ferramenta de educação permanente para profissionais da Atenção Básica e como estratégia complementar de prevenção do câncer de mama.

Aplicativo MamaPrev foi desenvolvido para auxiliar profissionais de saúde

A pesquisadora Sarah Raquel Campelo Ribeiro, também da UFMA, analisou a distribuição espacial da mortalidade por câncer de mama no Maranhão entre 2014 e 2023. Ao analisar as 19 regiões de saúde do estado, a pesquisa identificou que a mortalidade não se distribui de maneira homogênea pelo território. Os resultados podem contribuir para identificar regiões que demandam maior atenção e subsidiar estratégias voltadas à descentralização dos serviços, ao diagnóstico precoce e ao fortalecimento da rede de atenção oncológica.

Distribuição espacial das taxas de mortalidade por câncer de mama no MA

Na fronteira entre ciência, tecnologia e biomedicina, outra pesquisa investiga o potencial das nanopartículas de ouro produzidas por meio de uma alternativa mais sustentável, conhecida como síntese verde. O estudo, de Ana Beatriz Barros, da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), utiliza extratos vegetais de coco e de pimenta-de-macaco para produzir e estabilizar as nanopartículas.
Os resultados obtidos até o momento apontaram boa estabilidade e baixa toxicidade aguda das nanopartículas avaliadas, abrindo caminho para novas investigações sobre possíveis aplicações biomédicas, inclusive relacionadas ao câncer de mama.

Pesquisa estuda a síntese verde como alternativa para estabilização das nanopartículas.

Ciência em destaque no Outubro Rosa

É nesse cenário de produção de conhecimento e busca por novas respostas que a FAPEMA se soma à campanha do Outubro Rosa. “A 64ª edição da Revista Inovação traz como reportagem especial de capa justamente as pesquisas maranhenses relacionadas ao câncer de mama, aproximando a sociedade dos estudos desenvolvidos nas instituições de ensino e pesquisa do estado”, destacou o presidente da FAPEMA, Nordman Wall.

A edição da revista, disponível no site revista.fapema.br, também amplia a discussão sobre o tema com uma entrevista com a médica oncologista Rachel Cossetti, que aborda temas como diagnóstico precoce, biomarcadores, novos tratamentos, inteligência artificial, análise de dados e saúde mental.