Polpas de frutas comercializadas nas feiras de São Luís têm qualidade analisada

março 19 17:51 2015

O Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do mundo, com cerca de 40 milhões de toneladas por ano, o que corresponde a 6% do que é colhido no mundo, segundo levantamento realizado, em 2013, pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Este cenário vem fomentando outro mercado, a produção de polpas de frutas, que tem se mostrado como uma importante alternativa para o aproveitamento dos frutos durante a safra, permitindo a estocagem das polpas fora da época de produção dos frutos in natura. Estes, por serem perecíveis, sofrem com a deterioração em poucos dias, tendo sua comercialização dificultada, especialmente a longas distâncias.

“A qualidade das frutas constitui fator essencial no processamento das polpas, que devem ser sãs, limpas, isentas de sujidades, de parasitas, de larvas e detritos de animais. A importância desses cuidados é fundamental devido ao aumento de surtos de doenças transmitidas por alimentos associados ao consumo de frutas in natura e sucos não pasteurizados”, alerta a doutora em Ciências dos Alimentos, Adenilde Ribeiro Nascimento.

Adenilde Nascimento explica que alguns métodos são utilizados para conservação das polpas de frutas tais como a pasteurização, aditivos químicos e congelamento. Na maioria das indústrias e também na produção artesanal, a polpa é conservada exclusivamente pelo congelamento. Essa prática pode acarretar problemas da cadeia do frio durante a distribuição do produto, o que favorece o crescimento microbiano.

“As polpas de frutas, ainda que armazenadas, requerem atenção redobrada, por serem facilmente contaminadas durante a manipulação e o processamento. Essa contaminação pode se dar tanto em relação à higienização do ambiente como dos próprios manipuladores envolvidos no processo produtivo. O manuseio, além do armazenamento e do transporte, são fatores que contribuem para a ocorrência de enfermidades transmitidas por alimentos, se não forem realizados com os devidos cuidados”, esclarece.

Dada à importância que as frutas representam à economia brasileira e à dieta dos maranhenses, Adenilde Ribeiro Nascimento está coordenando o estudo “Caracterização físico-química, microbiológica, quantificação de vitamina C e avaliação da atividade antioxidante das polpas de oito frutas regionais comercializadas nas feiras de São Luis – MA”. “Esta pesquisa tem como objetivo avaliar as condições higiênico-sanitárias, determinar o teor de vitamina C e os antioxidantes das polpas de frutas que são comercializadas nas feiras da cidade”, pormenoriza.

No estudo, estão sendo analisadas polpas de bacuri, cupuaçu, caju, acerola, goiaba, graviola, murici e siriguela, adquiridas aleatoriamente nas feiras e mercados São Luís. “Estão sendo coletadas amostras mensais. Após as coletas, as amostras serão conduzidas ao Laboratório de Análises Físico-Químicas de Alimentos e Águas e Laboratório de Análises Microbiológicas de Alimentos e Águas do Programa de Controle de Qualidade de Alimentos, da Universidade Federal do Maranhão”, conta a pesquisadora, que recebe o apoio da FAPEMA, por meio do edital Universal (nº 001/2013) para o desenvolvimento do trabalho.

Nesse exame, serão analisadas, além da caracterização microbiológica, quantificação de vitamina C e atividade oxidante, a caracterização físico-química dos componentes principais, como umidade, lipídios, carboidratos, proteínas, calorias, valor calórico, fibras, pH e açúcares totais. “As polpas de todas essas frutas são de extrema importância para a comunidade ludovicense, especialmente para as pessoas que desenvolvem essas atividades geradoras de renda, porque passarão a ter conscientização acerca de um melhor desempenho no processo produtivo das polpas, assim como na garantia da segurança alimentar”, argumenta a pesquisadora.

No desenvolvimento do estudo, Adenilde Ribeiro Nascimento conta com o apoio dos doutores em Química Analítica, Victor Elias Mouchrek Filho, João Elias Mouchrek Filho e Nestor Everton Mendes Filho; da doutora em Ciências, Vera Lúcia Neves Dias; da química industrial, especialista em Tecnologia de Alimentos, Paula Coelho Everton; do doutor em Ciências e Tecnologia de Alimentos, André Gustavo Lima de Almeida Martins; da mestra em Tecnologia de Alimentos, Josilene Lima Serra; da especialista em Tecnologia de Alimentos, Amanda Mara Teles; e do estudante de Química Industrial, Dionney Andrade de Sousa.

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