Prêmio FAPEMA celebra a inovação científica que gera transformação social no Maranhão

Por Jock Dean 6 de novembro de 2026

Com 67 pesquisadores reconhecidos em 11 categorias, 21ª edição evidencia como o conhecimento científico, a inovação e a valorização dos saberes contribuem para transformar realidades e impulsionar o desenvolvimento do estado

Uma tecnologia que pode ampliar a segurança portuária, uma pesquisa que busca alternativas complementares para o tratamento do diabetes e uma história em quadrinhos que preserva conhecimentos ancestrais indígenas. Essas são algumas das pesquisas vencedoras que levaram seus autores ao palco, na noite desta quinta-feira (5), para receber o Prêmio FAPEMA 2026, o Oscar da Ciência Maranhense. A cerimônia, promovida pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão, celebrou a ciência e a inovação como instrumentos de transformação social. Os trabalhos premiados estão reunidos em edição especial da Revista Inovação, lançada durante o evento e disponível em revista.fapema.br.

A premiação reconheceu 67 pesquisadores em 11 categorias e mostrou que a ciência maranhense se manifesta de diferentes formas: na criação de tecnologias, na busca por soluções para a saúde, na valorização dos territórios e na preservação da memória e dos conhecimentos tradicionais.

Na categoria Jovem Cientista, Erick Roberto Mendes dos Reis foi reconhecido pelo desenvolvimento de um sistema embarcado (IoT) para diagnóstico de defensas marítimas, com potencial de aplicação no Porto do Itaqui e em outras estruturas portuárias brasileiras. “A partir desse trabalho a gente fez um protótipo em um laboratório que pode ser validado. Assim, esse trabalho é só o pontapé inicial para um produto que tem muitas potencialidades e aplicabilidades não apenas no setor portuário do Maranhão, mas de todo o Brasil”, explica.

Na área da saúde, a professora doutora Lívia Maia Pascoal, vencedora na categoria Pesquisador(a) Sênior, apresentou os resultados de estudos desenvolvidos por seu grupo sobre doenças crônicas, especialmente o diabetes. Uma das pesquisas investiga a fotobiomodulação, terapia que utiliza luz infravermelha como alternativa complementar e não invasiva no manejo da doença.

“Um dos nossos estudos já concluídos é focado na aplicação da fotobiomodulação, uma terapia que utiliza luz infravermelha como alternativa complementar e não invasiva no tratamento do diabetes. Esta terapia complementar, não invasiva e indolor, ajuda o paciente no manejo da doença. Sabemos que a adesão ao tratamento medicamentoso e a mudança de hábitos de vida costumam ser desafios grandes, por isso oferecer uma alternativa inovadora que traga esses resultados é extremamente importante, o que tem sido comprovado pelos testes que temos desenvolvido”, comemora a pesquisadora.

A transformação também passa pela cultura e pelo reconhecimento de conhecimentos historicamente transmitidos entre gerações. Foi esse caminho que levou o estudante Eleilton Guajajara, de 18 anos, do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), campus Grajaú, ao primeiro lugar na categoria Popvídeo Ciências. Originário da Aldeia Indígena Kateté, ele desenvolveu o projeto “Histórias nas estrelas: produção de quadrinhos sobre o universo e as constelações nas culturas indígenas”, que reúne narrativas e conhecimentos astronômicos de seu povo em uma história em quadrinhos.

“Esse projeto é fundamental porque resgata os mitos e as constelações indígenas, além das histórias e representações por trás deles. Mais do que narrativas, esses saberes possuem significados práticos. A história do Homem Velho, por exemplo, funciona como um calendário para os povos originários. O objetivo da pesquisa é resgatar, manter viva e difundir essa tradição para que ela continue avançando, sendo valorizada tanto pela sociedade em geral quanto pelos próprios povos indígenas”, frisa o estudante.

Transformação social

A dimensão dessa transformação também está relacionada à expansão das condições para produzir conhecimento no estado. O presidente da FAPEMA, Nordman Wall, destacou que os investimentos, as parcerias institucionais e a ampliação das oportunidades de pesquisa contribuíram para consolidar um novo momento da ciência maranhense.

“Nestes quatro últimos anos, a FAPEMA deu um salto no fomento científico do estado, ampliando o volume de recursos investidos e as parcerias institucionais, além de ter concedido dois reajustes nos valores das bolsas pagas. Neste período apoiamos pesquisas desenvolvidas tanto na capital quanto no interior, onde fortalecemos a presença da Fundação com editais que permitiram equipar laboratórios e implantar cursos inéditos de pós-graduação, dando às pesquisas desenvolvidas fora da Grande Ilha o protagonismo merecido. E o Prêmio FAPEMA deste ano reflete esta transformação”, assegurou Nordman Wall.

O diretor científico da Fundação, Cristiano Capovilla, chamou atenção para a abrangência das ações de fomento, que alcançam diferentes etapas e dimensões da produção do conhecimento, da pesquisa acadêmica à sua apropriação pela sociedade. “Nós ampliamos muito o valor de recursos disponíveis, sobretudo na extensão à pesquisa, na popularização do conhecimento e em áreas onde a pesquisa científica chega cada vez mais perto da população seja por meio dos resultados gerados, seja por meio da informação. A FAPEMA fortaleceu seu trabalho justamente porque olha para todos os setores da pesquisa e da inovação”, assinalou.

A transformação social também passa pelo reconhecimento de quem produz conhecimento e dos lugares onde ele é construído. Nesta edição, o Prêmio FAPEMA deu visibilidade a pesquisas desenvolvidas em municípios maranhenses para além da capital e a iniciativas que articulam conhecimento científico, identidade cultural e participação comunitária.

A amplitude do ecossistema científico maranhense também se expressa na diversidade das categorias contempladas pelo prêmio. Foram reconhecidos trabalhos em Comunicação Científica, Pesquisador Júnior, Jovem Cientista, Dissertação de Mestrado, Tese de Doutorado, Pesquisador Sênior, Pesquisador Extensionista, Empreendedorismo, Comunidades Tradicionais e Patrimônio Cultural, Inovação Tecnológica e Popvídeo Ciências, esta última com premiações para os três primeiros colocados. Foram destinados R$ 300 mil às premiações. Os valores em dinheiro variaram de R$ 2.250 a R$ 9 mil. Além da premiação financeira, os vencedores receberam troféu e Certificado de Menção Honrosa.

Duas categorias estrearam em 2026. Comunidades Tradicionais e Patrimônio Cultural amplia o reconhecimento de iniciativas dedicadas à valorização dos saberes, da memória e do patrimônio. Já Pesquisador Extensionista destaca a importância da aplicação direta do conhecimento científico, aproximando a pesquisa das necessidades da sociedade.

Mérito Científico

A cerimônia também foi marcada pela entrega da Honra ao Mérito Científico, distinção instituída pela Resolução nº 06, de junho de 2024, e considerada a mais alta honraria científica do estado. A comenda reconhece personalidades que contribuíram, por meio da atuação política, institucional ou acadêmica, para o fortalecimento do ecossistema científico maranhense.

Foram homenageados Fabiana Guajajara, diretora executiva do Instituto Tukán; Silvio Santana da Silva, presidente do Instituto Tukán; o professor doutor Carlos Frederico Lago Burnett, docente do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA); o professor doutor Gilson Soares da Silva, também docente da UEMA; Luciléa Ferreira Lopes, reitora da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL); e Maria Célia Dias de Castro, diretora da UEMA – Campus Balsas.

Também receberam a comenda a professora doutora Maria Ozanira da Silva e Silva, do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA); Rosa Maria Marques Barbosa, coordenadora do Centro Cultural Estrela do Divino; Raimundo Moacir Mendes Feitosa, professor do Departamento de Economia da UFMA e ex-secretário municipal de Educação de São Luís; e Luiz Thadeu Nunes e Silva.

Revista Inovação

O conhecimento científico também precisa circular para produzir transformação. Com essa perspectiva, a cerimônia marcou o lançamento da edição nº 65 da Revista Inovação, publicação especial dedicada ao Prêmio FAPEMA 2026.

A edição reúne 43 matérias sobre as pesquisas e iniciativas premiadas, apresentando ao público trabalhos que abordam desde o combate ao abuso sexual infantil, ao racismo e à violência contra a mulher, até o diagnóstico precoce de doenças, estudos em biodiversidade, biotecnologia, educação, inovação tecnológica e ciências agrárias.

Ao traduzir pesquisas e resultados para uma linguagem acessível, a publicação amplia o alcance do conhecimento produzido no estado e aproxima a sociedade de temas que interferem diretamente na vida das pessoas. O periódico é produzido pela equipe do Núcleo de Difusão Científica (NDC) da FAPEMA e está disponível no endereço revista.fapema.br.

Reconhecimento à ciência maranhense

Criado em 2005, o Prêmio FAPEMA integra as atividades da linha de ação Popularização da Ciência e tem entre seus principais objetivos reconhecer a produção científica e estimular a divulgação da ciência, tecnologia e inovação no Maranhão.

As fotos do evento podem ser acessadas através do link.