Professores do curso de Estudos Africanos realizam trabalho de campo em Moçambique

Professores do curso de Estudos Africanos realizam trabalho de campo em Moçambique
abril 27 09:22 2019

Texto: Ascom/Ufma

Ilustração: internet

MOÇAMBIQUE – Entre os dias 22 de abril e 20 de maio, os professores do curso de Licenciatura em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros da UFMA realizam trabalho de campo em Moçambique, no continente africano, com o objetivo de participar do seminário Estudos Africanos e Afro-Brasileiros: perspectivas interculturais emancipatórias.

A atividade integra as ações de dois projetos de cooperação internacional, financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA). A equipe de pesquisadores do Maranhão é composta pelos professores Kátia Regis, Sávio Dias, Carlos Benedito da Silva, Cidinalva Neris e Pollyanna Mendonça.

A comitiva também contará com a presença das professoras Nilma Lino Gomes (UFMG), ex-Ministra da Igualdade Racial e relatora das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola (2012), e Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva (UFSCar), relatora das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino da História Afro-Brasileira e Africana (2004).

Durante esse período, além de participarem do seminário Estudos Africanos e Afro-Brasileiros: perspectivas interculturais emancipatórias (confira a programação), também participarão de reuniões técnicas entre os pesquisadores brasileiros e moçambicanos; e visitas ao Ministério da Educação e do Desenvolvimento Humano, às escolas, movimentos sociais e aos sindicatos. As ações serão desenvolvidas em parceria com o Centro de Estudos Moçambicanos e de Etnociências (CEMEC) da Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) e com a Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

O primeiro projeto, intitulado “O ensino de História e Cultura Africana no Brasil e em Moçambique: formação de professores em uma perspectiva intercultural”, coordenado pela professora Kátia Regis, pretende favorecer o adensamento teórico necessário para que o que é ensinado sobre a História e Cultura Africana e Afro-Brasileira no Brasil seja construído com base em bases sólidas da ancestralidade africana por meio do diálogo crítico com pesquisadores moçambicanos.

Já o segundo, “Corredores de Desenvolvimento no Brasil e em Moçambique: estudo acerca das transformações no mundo do trabalho e do acesso à terra a partir da instalação do corredor de Nacala (Moçambique) e da Estrada de Ferro Carajás (Brasil)”, coordenado pelo professor Sávio Dias, busca elementos comparativos entre a implantação de dois grandes projetos de desenvolvimento, tanto no Brasil, quanto em Moçambique, que são apresentados com o discurso da criação de empregos e saída de situações de pobreza nas regiões de instalação, mas que são causa de conflitos socioambientais com populações locais em Nampula e no Maranhão. A pesquisa conta com a participação de pesquisadores ligados ao IFMA, à UP-Maputo e à UEM, as duas últimas sediadas na capital de Moçambique, Maputo.

A proposta de articulação dos dois projetos de cooperação internacional desenvolvidos em Moçambique se insere na perspectiva epistemológica da Licenciatura em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros, iniciativa pioneira no Brasil, implantada em 2015, e que foi reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) em março de 2019, com o conceito Muito Bom, no qual um dos aspectos muito elogiado pelos avaliadores foi justamente a internacionalização do curso.

O processo formativo desenvolvido na Licenciatura pretende aproximar a UFMA de universidades de diferentes países do continente africano, a exemplo do Trabalho de Campo em Cabo Verde, realizado em novembro de 2018 por 61 integrantes do curso.

A consolidação da internacionalização do curso é realizada no contexto da Década Internacional de Afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento (2015-2024), proclamada pela Organização das Nações Unidas (ONU), que tem, entre os seus objetivos, promover um maior conhecimento e respeito aos diversos patrimônios, culturas e contribuições de afrodescendentes, bem como sua participação plena e igualitária  em todos os aspectos da sociedade.

“A interação entre pesquisadores do Brasil e de Moçambique, baseada em temas comuns aos dois países, desde a formação de professores à implantação de grandes projetos de desenvolvimento, tem o intuito de ampliar a produção e a socialização de conhecimentos em uma perspectiva intercultural emancipatória e de metodologias de pesquisa”, explica a coordenadora do curso de Licenciatura em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros da UFMA, Kátia Régis.

Para o coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB-UFMA), Carlos Benedito Rodrigues da Silva, a realização de um trabalho de campo em Moçambique tem grande importância para ampliar os diálogos com o continente africano. “A maioria dos cursos de formação no Brasil ainda seguem uma linha eurocêntrica, desconsiderando a ampla diversidade cultural, como herança da diáspora africana. Essa articulação nos abre, portanto, novas perspectivas de ensino e de pesquisa, não apenas para a Licenciatura Interdisciplinar em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros, mas, ao mesmo tempo, possibilita à Universidade Federal do Maranhão representar-se no contexto atual dos debates afrodiaspóricos, voltados para a construção de um currículo descolonizado”, afirma.

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