Série “Mulheres de Ciência” para reverenciar o 8 de março, Dia Internacional das Mulheres

Série “Mulheres de Ciência” para reverenciar o 8 de março, Dia Internacional das Mulheres
março 09 15:13 2018

Nair Portela Silva Coutinho

Reitora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Professora do Departamento de Enfermagem da UFMA.  Possui graduação em Enfermagem pela Universidade Federal do Maranhão, mestrado em Pedagogia Profissional pela Universidade Estadual do Ceará/ISPTEH/Cuba, doutorado pela Universidade de Brasília UnB. Tem experiência na área de Enfermagem, Gestão em Serviços de Saúde, Pedagogia Profissional, Bioética, Saúde da Família, atuando principalmente nos seguintes temas: humanização, saúde pública, ética profissional e bioética, saúde do adulto e do idoso, pedagogia e didática.

   “Consideramos que na base do debate referente ao papel da mulher para a evolução da ciência está o vínculo da mulher com a produção do saber, que antecede ao reconhecimento de um domínio científico. Função que foi exercida pelas sacerdotisas e profetisas, como responsáveis por um conhecimento divino e adivinhatório, nos espaços dos templos, especialmente antes da era cristã. As mulheres também produziram uma gama de conhecimentos sobre o uso de plantas e ervas medicinais, além de serem as responsáveis pelo acompanhamento de partos e nascimentos, bem como dos cuidados aos enfermos e no trato dos corpos dos cadáveres nos rituais fúnebres. Produção esta que passou a ser associada à bruxaria, o que justificou a caça às bruxas na Europa, principalmente nos séculos XV e XVI.

       No período Pós-Revolução Científica, apesar da participação de várias mulheres em atividades técnicas e ligadas às ciências, estas foram relegadas à condição de assistentes ou colaboradoras de cientistas conhecidos, ficando invisibilizadas e silenciadas quanto aos registros de suas atuações. E, se recordamos que, somente no século XIX há o início da presença das mulheres na academia, na Universidade de Zurique, em 1865, e, no Brasil, em 1887, na Faculdade de Medicina, na Bahia, e que a ciência era culturalmente vista como uma carreira imprópria para as mulheres, até início do século XX. A atuação de mulheres como Marie Meurdrac, na Química; Caroline Herschel, na Astronomia e de Madame Curie, na Física, dentre tantas outras, traduzem muito da resistência feminina e das contribuições do Movimento Feminista às lutas das mulheres no mundo da ciência, estruturado em bases quase exclusivamente masculinas.

Os mecanismos de exclusão e negação do papel da mulher para a evolução da ciência, pelos processos formais e pelos discursos naturalizantes das diferenças entre homens e mulheres, não inviabilizaram a construção de uma história em que mulheres, nas diferentes áreas das ciências, deixaram, e deixam seus competentes e inegáveis contributos. Razão pela qual, reconhecemos o papel protagonista, inovador e aguerrido de todas elas. Apesar de ter sido negado, por longo tempo, o reconhecimento das mulheres como cientistas e produtoras de saberes, vemos que, principalmentenas últimas décadas, o mundo da ciência sofreu significativas alterações com a crescente presença delas em postos nunca antesprevistos, a exemplo, o cargo de cientista-chefe da NASA, por France Córdova. Tais avanços nos levam a considerar o número significativo de mulheres cientistas, suas realizações, contribuições decorrentes das experiências das mulheres nos laboratórios das universidades, das indústrias e do governo, em âmbito mundial e local.

   Cabe registrar que, reconhecer tais feitos, muitos deles laureados publicamente, propicia o fortalecimento da luta das mulheres pela superação das desigualdades, pelo respeito à sua condição de mulher, pelo término dos assédios morais e sexuais. Razão pela qualconsideramos significativo registrar a atuação de mulheres pesquisadoras no âmbito da Universidade Federal do Maranhão quanto às discussões sobre mulheres e gênero: Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Educação, Mulheres e Relações de Gênero (GEMGe); Grupo de Pesquisa e Extensão sobre Relações de Gênero, Étnico-racial, Geracional, Mulheres e Feminismos (GERAMUS); Grupo Gênero, Identidade e Memória (GENI); Grupo de Estudos e Pesquisa Gênero e Sexualidade nas Práticas Educativas (GESEPE); Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Educação, História e Mulheres (GEPEHM), do Campus Grajaú; Projeto Gênero e Diversidade nas Escolas: Formação de Professoras/es para a Prática Educativa em Direitos Humanos, do Campus de Codó.

    Apesar de as estatísticas evidenciarem que, no Brasil, tem crescido o número de mulheres participantes das atividades de ciência e tecnologia, ainda podemos evidenciar as seguintes dificuldades, tais como: a representação desproporcional de mulheres em ciência e tecnologia; a segregação horizontal, isto é, as mulheres estão mais presentes em algumas áreas e atividades do que em outras, caracterizando-as como femininas ou masculinas; a progressão vertical ou hierárquica, pela exclusão das mulheres ao topo da carreira, dos postos de decisão e de reconhecimento e a invisibilidade dos obstáculos que limitam e dificultam a ascensão das mulheres na carreira”.

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