Aedes aegypti: Pesquisa desenvolve inseticida natural capaz de eliminar o mosquito

Aedes aegypti: Pesquisa desenvolve inseticida natural capaz de eliminar o mosquito
dezembro 17 20:25 2015

00dengu00eCom a chegada do verão, aumenta a temperatura e também o risco de transmissão de doenças como a dengue, zika e chikungunya, vírus que têm o mosquito Aedes aegypti como vetor. O calor faz o ciclo de vida do mosquito se acelerar.

O inseto é adaptável e persistente e gosta de água limpa e parada. Ele coloca os ovos nas paredes desses criadouros, bem próximo à superfície da água, porém não diretamente sobre ela. Sendo que um ovo do mosquito pode sobreviver em média por um ano no seco.

Para combater o Aedes aegypti, que se reproduz em qualquer lugar que houver condições propícias (água parada limpa ou pouco poluída), medidas de combate ao mosquito para eliminar os criadouros e evitar a reprodução e proliferação devem ser realizadas.

Buscando opções para o combate ao mosquito, a pesquisadora Adriana Leandro Câmara desenvolveu um estudo com o objetivo de produzir um inseticida natural capaz de eliminar o Aedes aegypti. O composto é obtido a partir do extrato hidroalcóolico das folhas do Nim Indiano (Azadirachta indica A. Juss).

O Nim Indiano é uma árvore originária da Índia, com excelente adaptação no Brasil, possuidora de propriedades químicas especiais, utilizada há mais de quatro mil anos no controle de insetos, pragas, bactérias, fungos etc.

Segundo Adriana Câmara, foi desenvolvido um produto natural capaz de eliminar o mosquito adulto em apenas cinco minutos se o ambiente for fechado. A pesquisadora fez testes colocando 10 mosquitos em cada tubo de vidro fechado impregnado com água no controle e com o inseticida natural. Os testes foram realizados em laboratório com mosquitos criados em gaiolas específicas.

A pesquisa tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema). O composto está em fase patenteamento (PI1003892-2 A2). “Esta primeira patente é da Universidade Estadual do Maranhão e a segunda está sendo corrigida pelo Departamento de Apoio a Projetos de Inovação e Gestão de Serviços Tecnológicos (DAPI) da Universidade Federal do Maranhão. Mas será uma parceria entre UFMA e UEMA”, explica Adriana Câmara, farmacêutica e doutora em Ciências Biológicas (Biofísica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Esperamos que seja comercializado o mais rápido possível. Um detalhe deste produto é que foi testado em ratos em doses até 100 vezes maior sem que os mesmos sofressem qualquer efeito, o que nos leva acreditar que não tem efeito tóxico ao homem. Acredito que a falta de comercialização de um produto que combata o Aedes aegypti na sua fase inicial [ovo] até sua fase adulta [mosquito] é um dos principais motivos da proliferação de dengue”, afirma a pesquisadora.

Adriana explica que as ações de limpeza das casas e cuidado no armazenamento de água é primordial para o combate ao mosquito Aedes aegypti. “Mas no período chuvoso tudo volta, pois a água será armazenada em diversos locais. Assim, só isso não resolve. Precisa de uma ação mais eficaz contra o mosquito. Nós já conseguimos eliminar o mosquito uma vez, precisamos fazer isso novamente”, comenta.

 

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