Alternativas para um solo mais rico em nutrientes são apontadas no “Dia de Campo”

Alternativas para um solo mais rico em nutrientes são apontadas no “Dia de Campo”
abril 29 22:28 2011

O Centro de Ciências Agrárias da Universidade Estadual do Maranhão (CCA/UEMA) promoveu nesta sexta-feira, 29, com apoio da FAPEMA, o “Dia de Campo”, que consistiu em discutir, entre estudantes de agronomia das instituições de ensino superior do estado, a eficiência do uso dos nutrientes no solo do Maranhão. O evento aconteceu no Laboratório de Solos da UEMA, com a coordenação do Prof. Emanoel Gomes de Moura, e participação de professores, bolsistas e alunos do curso de agronomia. Dia-de-CAMPO

Na busca de tornar o solo de baixa fertilidade em um solo rico em nutrientes que seja propício à agricultura familiar maranhense, pesquisadores apresentaram experimentos sobre o uso do solo numa melhor absorção de nutrientes. “Grande parte dos nutrientes (adubos e fertilizantes) que a gente aplica no solo não consegue ser aproveitada pelas plantas, então algumas práticas podem ser efetuadas para aumentar a eficiência do uso desses nutrientes. Foi o que procuramos demonstrar nesse Dia de Campo”, destacou Emanoel Moura.

O Dia de Campo foi dividido em estações: Na primeira, foram observados o crescimento e produtividade da cultura do milho sob efeito da aplicação de gesso comparada à cobertura dos solos com ramos de sombreiro leucena, para aumentar a resistência das plantas e a absorção dos nutrientes. A segunda estação mostrou a possibilidade de substituição de adubos sintéticos, industriais, por adubos naturais, em especial, um fosfato coletado na ilha de Trauíra, no Maranhão. E no terceiro experimento, foi demonstrada a possibilidade do uso de leguminosas arbóreas na adubação do solo, cobertura e reciclagem de nutrientes, utilizando-se restos do cultivo, o que é popularmente chamado de “palha para cobrir o solo”, adubo que protege o solo contra o impacto das chuvas intensas e aumenta a fertilidade.

Dessas experiências, algumas já estão sendo usadas por agricultores maranhenses. Em Miranda e Brejo já se utilizam o plantio direto na palha de leguminosas em aléias. E no município de São Bento também será instalado.

Mas, para que mais agricultores sejam beneficiados com essa técnica, Emanoel Moura adverte a necessidade de haver mais empenho. “É uma técnica que exige participação maior do poder público, porque o agricultor sozinho não consegue implantar áreas sustentáveis, a tradição do agricultor do norte do Brasil é fazer a agricultura itinerante, que é muito eficiente do ponto de vista dele, ele muda de área, usando a cinza da vegetação natural. No entanto, do ponto de vista da agricultura e sustentabilidade é um sistema que não tem muita perspectiva futura”, afirmou.

O evento foi direcionado apenas a alunos, mas segundo o orientador esse conhecimento deve chegar até a agricultura familiar. “A nossa expectativa é que a participação dos alunos dos cursos de agronomia fosse boa e isso se confirmou. O que está sendo discutido são questões específicas, por isso um Dia de Campo para agricultores deveria ter outra conotação, outra abordagem do assunto. Hoje, o foco foram os alunos, porque o potencial de replicação da informação é muito maior e quando se forma um profissional de agronomia, ele mesmo pode fazer com que esse conhecimento se dissemine geometricamente”, finalizou Emanoel Gomes de Moura.

Além da FAPEMA, o Dia de Campo também teve apoio do CNPq, SEDAGRO, INAGRO, UFMA e INPE.

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