Avaliação clínica periodontal revela associação entre prematuridade e baixo peso

Avaliação clínica periodontal revela associação entre prematuridade e baixo peso
maio 11 14:48 2015

0gravidez-fapemaAvaliação clínica periodontal revela existir associação entre prematuridade e baixo peso ao nascer com a periodontite em puérperas (mulher que deu a luz recentemente). O resultado é da pesquisa “Avaliação clínica e microbiológica da condição periodontal em puérperas e sua relação com o nascimento de bebês prematuros e de baixo peso”, coordenada pela professora doutora, Fernanda Ferreira Lopes, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Um dos objetivos da pesquisa é conscientizar a classe de profissionais de saúde sobre a importância do controle da infecção bucal. 

“A proporção de nascidos vivos com baixo peso ao nascer ainda se mantêm elevada em nosso país, havendo casos com causa desconhecida. Desse modo, pretende-se contribuir com a sociedade ao tentar identificar fatores ainda não consagradamente estabelecidos, como a infecção periodontal, pois esta pode ser facilmente prevenida através da atuação do cirurgião dentista, e assim satisfazer a necessidade da comunidade”, destaca a professora.

Os resultados clínicos da pesquisa revelaram ainda que a probabilidade de haver periodontite entre as puérperas que tiveram bebês prematuros é 4 vezes superior das que não tinham periodontite, enquanto que a probabilidade de haver periodontite entre as puérperas que tiveram bebês com baixo peso é 3 vezes superior das que não tinham periodontite.

O estudo, que tem o apoio da FAPEMA por meio do edital Universal, conta com a parceria de outros pesquisadores da UFMA, Profª. Drª. Flávia Vidal, Profª. Drª. Érika Thomaz e Profª. Drª. Cláudia Coelho Alves, e de pesquisadores de outras instituições de ensino superior, como a da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Profª. Drª. Simone Seixas e da Universidade de Estadual de Feira de Santana (Prof. Dr. Isaac Suzart Gomes-Filho).

A professora explica que a periodontia, especialidade dentro da Odontologia que diagnostica, previne e trata as doenças da gengiva e dos tecidos de sustentação dos dentes, tem revelado que a presença de infecção periodontal não se restringe à cavidade bucal, podendo estar associada a diversas condições sistêmicas.

“Considerando que apesar dos avanços da obstetrícia, a prematuridade ainda se configura como um dos grandes problemas de Saúde Pública, pois embora vários fatores de risco para o parto prematuro já tenham sido identificados, muitos desses partos ainda não possuem causa conhecida. A associação prematuridade/ baixo peso ao nascer versus periodontite (doença periodontal) nos levou a realizar pesquisas sobre esta temática desde 2002. As pesquisas iniciais eram realizadas em nível clínico, no entanto a que ora está em execução, possui o estudo da microbiota presente do fluido gengival”, conta Fernanda Lopes.

Foram convidadas para participar da pesquisa mães de recém-nascidos prematuros e/ou baixo peso e mães de recém-nascidos de idade gestacional e peso normais, que se encontravam no puerpério (até 48 horas após o parto). A parte clínica da pesquisa foi realizada na Unidade Materno Infantil do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HUUFMA), enquanto a parte laboratorial está sendo executada no Banco de Tumores e DNA do Maranhão da UFMA (BTMA).

Os resultados nas análises microbianas, segundo a professora, não mostraram associação significativa entre prematuridade e baixo peso ao nascer com os periodontopatógenos detectados em puérperas. “No entanto a probabilidade de alguns periodontopatógenos estarem presentes nas puérperas que tiveram bebês prematuros e com baixo peso é superior que nas puérperas com bebês a termo”, completa a professora doutora.

Os resultados finais do trabalho, que deve ser concluído até dezembro, serão divulgados para a comunidade científica, por meio de artigos em periódicos especializados e em eventos científicos na área médica e odontológica. 

 

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