Brasil quer conquistar o seu lugar no espaço

Brasil quer conquistar o seu lugar no espaço
abril 12 13:26 2010

brasil-lugar-no-espacoO governo brasileiro vai dar o primeiro passo para entrar no mercado de lançamento comercial de satélites, com a construção de um segundo sítio para o lançamento de foguetes de médio porte no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, previsto para ser entregue em 2011. Até agora, os lançamentos feitos a partir do CLA eram de equipamentos de teste e pesquisa. O plano prevê que o foguete Cyclone 4, um veículo lançador de satélite (VLS), construído pela empresa binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), que tem a Ucrânia como parceira, esteja pronto no ano que vem, quando inicia os testes necessários para os lançamentos comerciais.

O governo mostrou que os setores nuclear, espacial e de tecnologia da informação estão sendo tratados como estratégia nacional. Se continuar assim, em pouco tempo o Brasil terá dois sítios com condições favoráveis para lançar foguetes , diz o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem.

O segundo sítio será erguido em uma área da base cedida pela Aeronáutica e a construção vai consumir recursos de US$ 247 milhões. Esperamos que tudo esteja pronto em 2011 , prevê.

O Brasil também está construindo o Veículo Lançador de Satélite (VLS)1 para substituir o VLS, que explodiu em 2003 e matou 21 pessoas. O Cyclone 4 coloca em órbita satélites de médio e grande porte, com cargas de até 5 mil quilos. A família de foguetes Cyclone tem uma história de sucesso no lançamento de satélites. Foram lançados 223 satélites sem falhas , diz Ganem.

Vários cientistas brasileiros e de outros países trabalham na construção do VLS 1. A previsão da agência é de que ele fique pronto em 2011. O veículo começará a ser testado em 2012 e no ano seguinte está previsto um voo com carga em caráter experimental. Somente em 2014 é que os lançamentos poderão ser feitos. O foguete terá capacidade para colocar em órbita objetos de até 400kg.

O mercado mundial de lançamento de satélites movimentou US$ 280 bilhões em 2008. Se o Brasil trabalhar pensando também no lado comercial, poderá conquistar até 10% desse mercado , avalia Ganem. Apesar de ainda engatinhar no setor de tecnologia espacial, o País pode ocupar posição de destaque. Os centros de lançamento daqui estão em posição privilegiada e têm uma vantagem geográfica porque estão próximos da linha do Equador e ao lado do oceano , explica.

Essas vantagens se traduzem em qualidade de lançamento e uma economia de até 30% no uso de combustível. Cada lançamento feito com o VLS 1 pode render ao Brasil US$ 10 milhões, estima o presidente da AEB. Os lançamentos feitos pelo Cyclone 4 podem chegar a US$ 50 milhões , diz.

No último ano, o governo brasileiro intensificou os investimentos no setor espacial.

Em 2009 foram investidos R$ 85 milhões no CLA e reforma do Centro de Lançamento Barreira do Inferno. Este ano, os investimentos serão de R$ 160 milhões , diz Ganem. No ano passado, foi construída uma moderna sala de controle para o lançamento, a pista de aviação da base foi recuperada e a estrada que leva ao centro foi reformada. Ainda serão feitos investimentos em hotelaria para hospedar as pessoas que vierem à cidade para o lançamento , comenta.

Estratégia e desenvolvimento

Ganem destaca a importância do investimento no programa espacial para o desenvolvimento do Brasil. Quando uma criança é operada num local distante do Acre via satélite, estamos falando do espaço. O tráfego aéreo, as comunicações de uma forma geral e a previsão do tempo, necessária para evitar tragédias como a que ocorreu no Rio de Janeiro, são algumas das infinitas aplicações , comenta.

Segundo o presidente da AEB, o programa espacial brasileiro é essencial para a população brasileira.

Ele é importante para a saúde, educação, dá suporte para várias pesquisas e para a rede de pesquisas nacional. É a única maneira de olhar o Brasil por inteiro, o que é vital para um país com as dimensões do nosso , diz.

Pnae investe na reforma do Centro Barreira do Inferno

Parte da verba destinada ao Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae) foi aplicada na reforma e modernização do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), localizado em Parnamirim, no Rio Grande do Norte. Este ano, serão investidos R$ 6 milhões em projetos de modernização dos sistemas de preparação, lançamento e rastreio. As melhorias já realizadas incluem reformas de equipamentos e novas instalações. Segundo a Agência Espacial Brasileira (AEB), estão previstas reformas no Lançador Universal, ampliação da casamata e construção do prédio de montagem de motores, de um laboratório para experimentos científicos e de outro prédio de apoio. O Lançador Universal atende à grande maioria dos foguetes suborbitais espalhados pelo mundo, com capacidade para lançamentos de até 12 toneladas. A sua reforma abre portas para que a comunidade internacional utilize o sítio. As obras devem estar concluídas este ano, quando está previsto o lançamento do VSB-30. (AAN) SAIBA MAIS

O Brasil tem três satélites em órbita. O SCD 1 e SCD captam informações ambientais de centenas de estações espalhadas pelo País. O CBERS-2B, fabricado em parceria com a China, ajuda a monitorar o desmatamento da Amazônia.

Outros satélites estão sendo desenvolvidos no programa espacial. O Amazônia-1, explica o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem, terá uma câmera com maior ângulo de visão do que o CBERS. O outro equipamento, denominado Lattes, irá analisar partículas nocivas do espaço.

O NÚMERO 440 FOGUETES

Foram lançados a partir do Centro de Lançamento de Alcântara desde a sua inauguração, em 1989.

Estudantes de universidades desenvolvem projeto Itasat O Brasil deve lançar em 2012 o primeiro satélite produzido com participação de estudantes. Batizado de Itasat, o equipamento ajudará na transmissão de dados ambientais e está sendo desenvolvido por estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O projeto é coordenado pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e tem como objetivo formar profissionais habilitados a desenvolver tecnologia aeroespacial.

O equipamento fornecerá informações para diversos fins, como meteorologia, telecomunicações, meio ambiente e operação de sistemas. Com um orçamento de R$ 5 milhões, o Itasat deve pesar cerca de 85 kg e será colocado em órbita baixa (até 600km de altitude). Ele deve ficar em órbita por cerca de um ano e a cada 90 minutos dará uma volta completa no planeta.

Uma equipe de cinco cientistas da Unicamp, coordenada pelo professor Yuzo Iano, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC), trabalha com processamento digital de sinais e definição de codificação no projeto Itasat. Do satélite para os receptores brasileiros, as imagens precisam ser protegidas dos ruídos gerados termicamente. Otimizar o tempo de transmissão das imagens é um dos desafios do grupo.

Os pesquisadores trabalham com a codificação do canal, o percurso da imagem a partir do satélite até alcançar a antena de recepção, e da fonte, o transmissor instalado no Itasat. A codificação é usada para preservar o conteúdo do sinal. (AAN) Pesquisa avalia uso de etanol como combustível Cientistas do IAE estudam e testam propulsores de foguetes que utilizam propelentes líquidos Além das pesquisas para a construção de satélites e de veículos lançadores, cientistas do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) desenvolvem um programa de pesquisa em propulsão líquida, que tem como base o etanol nacional. O objetivo é desenvolver combustível para foguetes mais seguro que o combustível à base de hidrazina empregado atualmente. Liderado pelo engenheiro José Miraglia, professor da Faculdade de Tecnologia da Informação (FIAP), o grupo de cientistas se uniu para desenvolver propulsores de foguetes que utilizem propelentes líquidos e testar tais combustíveis.

Os propelentes líquidos usados atualmente no Brasil estão restritos à aplicação no controle de altitude de satélites e à injeção orbital. Eles têm como base a hidrazina e o tetróxido de nitrogênio, ambos importados, caros e tóxicos , disse Miraglia.

Na primeira fase do projeto, o grupo testou motores e foguetes de propulsão líquida com impulso de 10 newtons (N), com o objetivo de avaliar propelentes líquidos pré-misturados à base de peróxido de hidrogênio combinado com etanol ou querosene. Cada newton equivale a um quilo acelerado a um metro por segundo ao quadrado. Os testes mostraram que o projeto é viável tecnicamente. Os propulsores movidos com uma mistura de peróxido de hidrogênio e etanol, ambos produzidos em larga escala no Brasil e a baixo custo, apresentaram o melhor rendimento , disse.

Segundo Miraglia, a mistura apresenta algumas vantagens em relação à hidrazina e ao tetróxido de nitrogênio, usados atualmente. O peróxido de hidrogênio misturado com etanol apresenta densidade maior do que a maioria dos propelentes líquidos, necessitando de menor volume de reservatório e, consequentemente, de menor massa de satélite ou do veículo lançador, além de ser compatível com materiais como alumínio e aço inox , explicou.

Na segunda fase do projeto, o grupo pretende construir dois motores para foguetes de maior porte, com 100N e 1.000N. Nossa intenção é construir um foguete suborbital de sondagem que atinja os 100 quilômetros de altitude e sirva para demonstrar a tecnologia , disse.

O grupo também pretende produzir motores para foguetes de sondagem que tenham baixo custo.

Eles seriam importantes para as universidades, com aplicações em estudos em microgravidade e pesquisas atmosféricas, por exemplo , disse Miraglia.

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