Condições sanitárias em procedimentos estéticos colocam em risco a saúde de profissionais

Condições sanitárias em procedimentos estéticos colocam em risco a saúde de profissionais
janeiro 14 19:19 2015

Embelezamento e estilo são condições desejadas por muita gente, mas que inúmeras vezes acabam envolvendo uma série de negligencias quanto ao procedimento adequado para alcançá-los.

1 unhas novonegocioDurante o processo estético é comum que os instrumentos utilizados para arrumar as unhas, fazer tatuagens e colocar piercings sejam contaminados com o sangue da pessoa atendida e que, se não forem esterilizados apropriadamente, podem agir como um meio de transmissão de doenças como as hepatites B e C e o vírus HIV.

Com esse entendimento, a pesquisa “Avaliação dos procedimentos de biossegurança adotados por profissionais que atuam nos serviços de tatuagem, colocação de piercings, manicures e pedicures do município de São Luís”, apoiada pelo edital Universal (Nº 001/2013) da FAPEMA, objetiva identificar a biossegurança, conjunto de estudos e procedimentos que visam evitar ou controlar os riscos provocados pelo uso de agentes químicos, agentes físicos e agentes biológicos à biodiversidade, adotada pelos profissionais que oferecem esses serviços estéticos na capital maranhense.

A proposta do estudo é beneficiar tanto os profissionais que trabalham nos serviços de embelezamento quanto à população usuária desses estabelecimentos de beleza do município de São Luís, em relação à prevenção dos riscos de transmissão de infecção das hepatites virais e do HIV.

“É de extrema relevância compreender de que forma os profissionais envolvidos nos serviços de embelezamento de São Luís adotam a conduta para prevenção de transmissão do vírus da hepatite B (HBV), hepatite C (HCV) e HIV. Ou seja, será que essa conduta está sendo realizada dentro das normas de biossegurança, conforme os critérios preconizados pelo Ministério da Saúde?”, questionou a pesquisadora Ilana Mirian Almeida, coordenadora do trabalho.

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Para responder a esse questionamento, o projeto, que ainda está em andamento, conta com a participação de pesquisadores docentes e discentes da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e da Universidade CEUMA, que realizaram entrevistas por meio de questionários acerca da forma como as manicures, os tatuadores e profissionais que atuam na colocação de piercings desempenham suas atividades profissionais e dos procedimentos de biossegurança.

A amostra final da pesquisa totalizou 150 serviços de embelezamento em 06 distritos sanitários localizados na área urbana de São Luís. Os estabelecimentos comerciais foram selecionados aleatoriamente por meio de um sorteio simples.

“O instrumento de coleta de dados é um questionário que contém informações sobre o profissional, a percepção sobre doenças transmissíveis por contato sanguíneo e formas de prevenção em seu ambiente de trabalho, bem como, um roteiro observacional, o qual se verifica as condições físicas e sanitárias dos estabelecimentos visitados, os materiais disponíveis para a desinfecção, limpeza e esterilização dos materiais”, explicou Ilana Almeida.

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“A maioria dos entrevistados relatou que sabe realizar a desinfecção dos instrumentais, e que realizam esse processo com álcool 70%. A grande parcela dos entrevistados descreveu que os materiais de uso único (lâminas para remoção de pêlos, lixas, palitos) são descartados após a utilização. No entanto, o descarte dos materiais pérfurocortantes é jogado em lixo comum. Em relação à estrutura física, foi observada pia para higienização das mãos dos profissionais. Outro ponto verificado foi que a maioria dos profissionais (90.6%) perceberem sua profissão arriscada para contrair Hepatite B e C e HIV, porém, mais da metade dos entrevistados (62.5%) informou relatos de acidentes e contatos com sangue sem o uso de luvas”, destacou a doutora em Enfermagem em Saúde Pública.

Só para se ter ideia da resistência do vírus da hepatite B (HBV), ele consegue sobreviver até por uma semana fora do corpo humano, permanecendo alta a infectividade, sendo que uma só partícula viral é capaz de infectar o ser humano.

É importante lembrar que dentre as recomendações apontadas para as manicures estão: lavar as mãos antes e depois de cada procedimento; não reutilizar lixas de unha, lixas de esfoliação dos pés e palitos de madeira; trocar revestimentos plásticos e lavar as bacias de pés e mãos; utilizar toalhas limpas ou descartáveis a cada cliente; esterilizar os alicates, espátulas e outros instrumentos de metal.

“Aos usuários desses serviços, a orientação é para que tenham seu próprio ‘kit’ contendo alicate, espátula, lixa, palito e toalha. E a orientação básica que serve para todos esses profissionais e para os clientes é ter sua vacinação contra hepatite B em dia. Segundo o manual da ANVISA, as recomendações observam que o piercing deverá ser esterilizado em embalagem individual, aberta à vista do cliente, antes de ser introduzido no corpo e as agulhas finais de tatuagem (agulha+haste) deverão, depois de montadas, devem ser esterilizadas em embalagens individuais e abertas à vista do cliente,” destacou a Dra. Ilana Almeida.

 

Imagens: Pixabay e Novonegócio
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