Embrapa pesquisa fontes alternativas para aumentar a produção de bioetanol

Embrapa pesquisa fontes alternativas para aumentar a produção de bioetanol
fevereiro 02 13:40 2010

O Brasil poderá produzir biocombustível usando fontes renováveis já existentes em larga escala no País. A Embrapa Cerrados, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária de Planaltina (DF), vai começar em março a desenvolver formas de produzir etanol a partir de matérias-primas alternativas, além da cana-de-açúcar. Com o financiamento de R$ 800 mil e quatro anos para entregar os resultados, o projeto também pesquisará tecnologias mais baratas para obter o combustível de outras partes da cana. Atualmente só o caldo é utilizado.

Entre as fontes alternativas estão o eucalipto e o pino, o tachi branco e a aparica, sendo essas duas últimas espécies comuns no solo amazônico, e mais três variedades de gramíneas forrageiras. “Usadas para alimentar o gado, as forrageiras são abundantes na pastagem brasileira. São 50 milhões de hectares”, afirma o coordenador do projeto na Embrapa, Marcelo Ayres. O pesquisador relata que a escolha das fontes se baseou na boa adaptação delas na agricultura nacional e no conhecimento que já se possui do manejo e plantio das espécies. “A grande contribuição da Embrapa nas pesquisas em bioetanol é a longa tradição que temos em pesquisa agrícola”, diz. producao_bioetanol

O etanol atualmente produzido no Brasil é obtido pela fermentação da sacarose, açúcar presente no caldo da cana. Mas 70% do bagaço que não são aproveitados podem ser convertidos em álcool com processos mais complexos, que ainda são muito caros em comparação com o processo comum de fermentação. “O etanol de segunda geração tem uma etapa anterior, onde você vai quebrar grandes cadeias de celulose em açucares para então fazer a fermentação”, ensina Marcelo Ayres.

Um dos objetivos do projeto é diminuir os custos do etanol de segunda geração. Para a pesquisadora Cristina Machado, a vantagem é aumentar o potencial de produção por área, porque mais biomassa poderá ser usada. “Não acho que conseguiremos um preço mais barato. Mas se alcançarmos um preço competitivo, isso já é excelente em caso da necessidade de produção para o consumo global”, acredita.

Ayres explica que o trabalho terá quatro linhas. A primeira calculará a capacidade de produção de biomassa das plantas. A segunda descobrirá as características físico-químicas de cada uma e quais tecnologias terão melhor resultado na decomposição delas em açucares que possam ser fermentados. Na terceira, será medido o volume de álcool que pode ser obtido por espécie e a quarta linha avaliará a viabilidade econômica de levar essa produção a uma escala industrial. O projeto, que conta com 54 pesquisadores, envolve nove unidades da Embrapa, as universidades de Brasília e São Paulo, UnB e USP e o apoio do Laboratório Virtual da Embrapa no Exterior, Labex Europa 

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