Estratégia de controle biológico é usada no combate a pragas no cultivo de arroz

Estratégia de controle biológico é usada no combate a pragas no cultivo de arroz
abril 16 13:24 2014

pragas fig21Para evitar o uso descriminado de agrotóxicos nas plantações de arroz, a contaminação do meio ambiente e do homem, uma pesquisa propôs a estratégia do controle biológico, em que utiliza um parasitóide, inimigo natural do percevejo, como forma de oferecer ao agricultor familiar uma alternativa de controle de pragas.

Esse trabalho venceu o Prêmio FAPEMA 2013, na categoria Dissertação de Mestrado, modalidade Ciências Agrárias e foi desenvolvido por Keneson Gonçalves e a orientadora Raimunda Lemos, da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA.

O principal vilão do arroz é um percevejo conhecido, popularmente, na Baixada Maranhense, como cangapara. E para combater a ação do inseto, muitos produtores utilizam agrotóxicos de forma excessiva nas plantações.

A pesquisa fez um levantamento, procurando os heróis, ou melhor, os inimigos naturais responsáveis por eliminar o percevejo.PColmoAdultos3

Durante a investigação, três espécies de parasitóides responsáveis por eliminar a cangapara foram encontradas: Oencyrtus submetallicus, Trissolcus basalis e Telenomus podisi.

“Viajávamos para Miranda do Norte, Matões do Norte, Arari e Santa Rita. Nessas áreas, abríamos cada touceira de arroz para coletar o percevejo e também os ovos, as posturas que são colocadas pelo percevejo fêmea. As posturas e os insetos foram colocados no laboratório em condições ambientais, esperando emergir os parasitóides.”, explicou o doutorando Keneson Gonçalves.

Depois desse processo da emergência, os insetos eram separados e mandados para um especialista na área para fazer a taxonomia, identificação do parasitóide, no caso, o inimigo natural.

Uma das primeiras iniciativas do projeto é tentar esclarecer ao agricultor que existem insetos que são benéficos para as plantações, ou seja, são responsáveis pelo controle natural.

O trabalho recomenda ao agricultor o uso de produtos seletivos que possuem efeito de eliminar só a praga. Até chegar o momento de não usar nenhum veneno nas lavouras de arroz.

“No máximo em três anos, conseguiremos adequar essa técnica aqui no laboratório e levar para o campo” avalia Raimunda Lemos, coordenadora da pesquisa

A pesquisadora Raimunda Lemos faz, ainda, um alerta sobre a aplicação de veneno de forma indiscriminada e dos enormes prejuízos ao ser humano.

“Consumimos muito resíduo de agrotóxico, porque dificilmente você encontra alimentos que não tenham nenhum resíduo. Logicamente, em níveis abaixo daquilo que é permitido consumir”, explica Raimunda Lemos.

“Tentamos fazer com esses pequenos agricultores é conscientizá-los do perigo, orientá-los no sentido minimizar o uso de agrotóxicos nas lavouras para que tenhamos uma alimentação, inclusive, mais saudável”, destacou a coordenadora.

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