Estudo analisa reprodução do caranguejo-uçá como subsídio ao seu uso e manejo por populações tradicionais costeiras do Maranhão

junho 29 03:00 2017

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A fim de comparar o período reprodutivo do caranguejo-uçá com o período de defeso estabelecido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), para o Estado do Maranhão, a bióloga e estudante do Programa de Pós-Graduação em Recursos Aquáticos e Pesca da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Daniele Borges de Sousa, desenvolveu um estudo com o objetivo foi determinar o período reprodutivo e o tamanho de primeira maturação gonadal do animal em dois manguezais maranhenses.

De acordo com a pesquisadora, a necessidade de desenvolver o estudo surgiu como uma forma de auxiliar na conservação dessa espécie, gerando subsídios para seu manejo. Uma vez que o caranguejo-uçá é amplamente explorado em todo litoral brasileiro, e devido a tal exploração se encontra na lista de espécies sobrexplotadas ou ameaçadas de sobrexplotação, necessitando urgentemente de medidas protetivas eficazes para a sua conservação, como o correto estabelecimento de defeso reprodutivo.

“Nós realizamos 12 coletas mensais em um manguezal no Quebra Pote e outro no Araçagi. Os organismos foram coletados por meio de esforço de captura realizado durante 1 hora por dois integrantes da pesquisa. Todas as amostras foram transportadas para o Laboratório de Pesca e Ecologia Aquática da UEMA, onde eram feitas as análises biométricas de machos e fêmeas e a análise macroscópica das gônadas. Segundo uma escala de cores e o volume ocupado dentro da carapaça, as gônadas eram classificadas em imaturas, em desenvolvimento, desenvolvidas e esgotadas. Com base na frequência mensal de fêmeas maturas e/ou ovígeras, foi determinado o período reprodutivo dessa espécie. E utilizando os dados de biometria foi estimado o tamanho de primeira maturação gonadal de machos e fêmeas do caranguejo-uçá”, explica Daniele Borges.

Com base no estudo, foi possível verificar que o período reprodutivo do caranguejo-uçá nos dois manguezais analisados é mais abrangente que o período de defeso estabelecido pelo IBAMA para o Estado do Maranhão, compreendendo os meses de dezembro a abril.

“Observamos também que em ambos os manguezais, os machos maturaram em tamanhos inferiores aos das fêmeas, e que indivíduos de ambos os sexos se apresentaram, na sua maioria, em tamanho inferior ao exigido, que determina o tamanho mínimo de 60mm de largura da carapaça para captura comercial, indicando assim indícios de sobrepesca nas áreas analisadas”, afirma a estudante.

O projeto foi idealizado no início de 2011, onde alguns aspectos reprodutivos dessa espécie foram analisadas concomitantemente a outras pesquisas, pois o foco naquele momento era analisar a diversidade e ecologia de várias espécies de crustáceos decápodes. A partir de 2013, as pesquisas com o caranguejo-uçá foram direcionadas exclusivamente para análise populacional e reprodutiva. E em 2015 a análise foi finalizada em dois manguezais do Maranhão. Entretanto, o projeto está longe de ser concluído, pois o objetivo é analisar o período reprodutivo dessa espécie ao longo da costa maranhense.

“Tendo como propósito maior a conservação desta espécie, podemos encarar que o os benefícios obtidos com essa pesquisa vão além do biológico ou ecológico. Envolvem também o lado social e cultural de sua captura. Uma vez que conservar o caranguejo-uçá é garantir a fonte de renda e alimentação de milhares de pessoas em todo litoral brasileiro, principalmente no Maranhão, onde o consumo do caranguejo-uçá é marcado por traços culturais”, ressalta a pesquisadora.

 

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