Estudo aponta características de espécies de caravelas no litoral de São Luis e os acidentes com banhistas

Estudo aponta características de espécies de caravelas no litoral de São Luis e os acidentes com banhistas
maio 27 20:26 2013

caravala

Acidentes com caravelas, uma espécie de água-viva, são cada vez mais comuns nas praias maranhenses. E um estudo fez um levantamento das características e acidentes provocados pela caravela em duas praias de grande movimentação de São Luís – Calhau e São Marcos. Esse projeto científico é desenvolvido pela pesquisadora em Saúde e Ambiente, Denise Maria Ramalho Ferreira Bastos, que recebeu apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão – FAPEMA, por meio do edital de apoio a projetos de extensão (AEXT- n° 019/2012), propondo educação ambiental a população local.

Iniciada desde 2005, a pesquisa foi feita nas praias do Calhau e São Marcos. As coletas são quinzenais e todas as caravelas que foram encontradas próximas a linha d’água tiveram seu pneumatóforo, bolsa flutuante, medido. “E com essas medidas adquiridas foi possível determinar a idade e relacionar com outras características, como análise da água, que teve verificada sua temperatura, oxigênio dissolvido, salinidade e o PH, que é a escala que determina a acidez da água”, explicou Denise Bastos.

Essas ações revelaram os motivos do número excessivo de água-viva no litoral do estado em determinado período do ano, além de informações para prevenção de acidentes com caravelas e cuidados dos ferimentos em caso de queimaduras. E assim propor educação ambiental com palestras feitas nas escolas da capital maranhense.

Segundo Denise Bastos, de forma preliminar, a pesquisa observou que nos períodos em que o vento é mais forte se encontra mais caravela. No entanto, em alguns anos o cenário no litoral maranhense tem mudado. “É sempre muito frequente nos meses de junho, agosto, setembro encontrar bastante caravela, porque o vento está forte, porém, a gente pode observar que nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, por exemplo, encontramos muitos desses animais”, declarou a pesquisadora.

A principal causa dos acidentes é a falta de informação da população, além da curiosidade das crianças que estão olhando o animal na areia e tocam nele. Nesse contato acaba causando o envenenamento, porque nos tentáculos desses animais tem uma substância urticante que causa a lesão de pele. Em contato com a pele, a caravela pode provocar reações alérgicas, queimaduras graves, choque térmico e, se atingirem os olhos, causam cegueira.

As maneiras de prevenir as pessoas contra acidentes com caravelas foram mencionadas pela pesquisadora. “Por exemplo, algumas vezes a pessoa entra no mar e olha uma caravela longe e acha que é uma distância suficiente para não ser atingido, no entanto, os tentáculos da caravela são bem grandes e ficam imperceptíveis na água causando também um acidente. A gente sugere que as pessoas evitem entrar na água no período de ventos fortes e também quando encontrar as caravelas na praia não pisar, não tocar, porque se isso acontecer a pessoa vai sofrer um envenenamento”, alertou Denise.

Caso a pessoa sofra esse envenenamento, a primeira coisa que deve fazer é procurar um posto salva-vidas, porque lá eles têm o material necessário para minimizar os danos desse acidente. Se ela tiver muito longe do posto salva-vidas, ela deve utilizar a água do mar e jamais utilizar água doce, urina ou areia. A orientação é lavar a área atingida com água do mar e utilizar vinagre no local, isso vai impossibilitar a liberação dessas toxinas na pele.

O trabalho continuará sendo desenvolvido e visa produzir e distribuir uma cartilha informativa. “Vamos começar a parte de educação ambiental, daremos palestra em escolas, distribuiremos material (cartilha) que ainda está em preparação contendo informações sobre esses organismos e também cuidado de pronto atendimento”, destacou a pesquisadora.

Você pode ouvir essa pesquisa de uma maneira mais detalhada no Rádio Inovação 13.05.2013.

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