Estudo aponta que brincadeiras e leitura podem revelar características psicológicas das crianças

Estudo aponta que brincadeiras e leitura podem revelar características psicológicas das crianças
outubro 14 12:29 2013

Brinquedoteca CasaCor - Sonia Bayma3

Ao entrar em um mundo imaginário você pode ser o vilão, o herói, a princesa ou a mocinha em apuros, e assim criar todo um ambiente para o desfecho de uma brincadeira bem divertida. Esse mundo encantado foi estendido para escola, em espaços denominados brinquedotecas, locais que promovem atividades lúdicas de aprendizagem, interatividade e a possibilidade de trabalhar melhor as emoções das crianças.

Com base nisso, uma pesquisa observou o imaginário e a ludicidade em crianças da brinquedoteca da Unidade de Educação Básica Criança Feliz, no bairro da Ilhinha, em São Luís, buscando compreender as expressões simbólicas na infância, como as crianças pensam, agem e sentem o universo em que vivem.

O estudo foi desenvolvido pela pedagoga Anízia Araujo Nunes Marques e recebeu apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão – FAPEMA, por meio do Programa de Apoio a Elaboração de Dissertação ou Tese (PAEDT).

De acordo com a pesquisadora, em cada canto da brinquedoteca foi aplicada uma metodologia diferente. No “cantinho do faz de conta”, por exemplo, foi feito um desfile de fantasias, onde as crianças revelam quais personagens mais se identificam; no “canto da arte”, elas elaboram desenhos, e neles são identificados o universo arquetípico da criança. “Já no ‘cantinho dos jogos de brinquedos’, elas demonstraram imagens mais fortes, e aí se pode fazer uma análise psicológica dessas imagens; e no ‘cantinho da leitura’ foram disponibilizados seis opções de títulos de livros e elas escolheram aquele com a qual mais se identificavam. Os resultados mostraram o fascínio que elas têm pelo faz de conta, por objetos ligados ao heroísmo na infância, a dicotomia e antagonismo entre o bem e o mal, o claro e o escuro”, ressaltou Anízia Marques.

O trabalho identificou ainda que a criança na brinquedoteca passa a se expressar melhor, podendo trabalhar problemas psicológicos e de aprendizagem.“Problemas que nem sempre a criança consegue expressar verbalmente, mas que pode manifestar esse universo interior através dos desenhos, brinquedos, conto de fadas”, exemplificou a pedagoga.

Segundo a pesquisadora, as crianças precisam desse ambiente imaginário para que possam trabalhar suas emoções, as formas de ser e compreender o mundo. O contexto histórico, cultural e social faz parte de suas vidas e as crianças sabem que esse conjunto precisa ser compreendido e explorado. “As crianças que frequentam a brinquedoteca tem um melhor relacionamento intrapessoal, pois sabem lidar melhor com suas emoções, organizam melhor seus pensamentos, trabalham melhor a questão psicomotora através dos brinquedos, e também apresentam melhor relacionamento interpessoal, de respeito ao colega, de saber esperar sua vez para dividir o brinquedo”, destacou.

“Percebemos que as brinquedotecas são vistas como espaço menor na escola, um espaço de passa tempo. Mas a pesquisa mostrou que na brinquedoteca as crianças podem manifestar o que é inerente a elas, o brincar, imaginar, ou seja, elas veem a brinquedoteca como espaço protetor da infância, que guarda o que para elas é fundamental que é o ser criança”, comentou a pesquisadora. A próxima etapa da pesquisa é levar o projeto para Secretaria Municipal de Educação (SEMED) para promover a ampliação das brinquedotecas municipais, não só nas instituições de Ensino Infantil como também no Ensino Fundamental, além de formar profissionais para atuarem como brinquedistas nas brinquedotecas de São Luís.

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