Estudo revela ‘cheiro’ de planetas e luas

Estudo revela ‘cheiro’ de planetas e luas
janeiro 12 18:04 2015

Imagine que Vênus, à despeito de ser também o nome da deusa do amor grega, possui um odor de ovo podre. Veja a lista de cheiros de outros planetas e luas

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A busca pela compreensão da composição química dos astros tem um efeito peculiar: agora se sabe como eles cheirariam ao olfato humano.

Alberto Alves, astrofísico do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), no Rio de Janeiro, explica que isso é possível porque os elementos que existem nesses lugares, como metano e amônia, também estão na Terra, o que significa que eles nos são familiares.

Desagradavelmente familiares, com frequência. Isso porque remetem, por exemplo, a ovo podre, pólvora ou até… pum.

Em Titã, a maior lua de Saturno, por exemplo, descobertas feitas ano passado pela sonda Cassini-Huygens permitiram saber mais sobre a composição da atmosfera do astro, e, por tabela, de seu odor. Ele cheira a uma mistura de pum e gasolina, devido à presença na sua atmosfera de metano e benzeno.

Uma das técnicas para conhecer a atmosfera de um planeta é a espectroscopia, que permite reconhecer os elementos químicos pelo espectro de luz -cada elemento emite determinada radiação eletromagnética.

Além disso, os cientistas fazem simulações em laboratório. Os elementos são adicionados a um tubo de ensaio e deixados na mesma proporção que na atmosfera, por exemplo, de um planeta.

“Não é cem por cento fiel, pois nem sempre se terá, por exemplo, as mesmas condições de temperatura e pressão. Mas é possível, assim, cheirar os astros dentro do laboratório”, diz Alves.

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Eder Martioli, astrofísico e pesquisador do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) acredita que a sofisticação crescente dessa possibilidade de ser reproduzir o cheiro de diferentes cantos do espaço poderá em breve ser utilizada por museus científicos.

Eles poderiam oferecer, por exemplo, ambientes com uma “experiência marciana” para os visitantes. “Os pessoas adoram saber quais sensações teriam se estivessem em um lugar desses”, diz.

No caso de Marte, porém, a experiência seria um pouco desagradável -e desestimulante à ideia de colonização. O planeta vermelho fede ovo podre, culpa da presença de enxofre no ambiente -embora ainda seja preciso descobrir exatamente quanto dessa substância existe por lá.

Outro fator negativo em Marte é a alta presença de gipsita, mineral usado para fazer gesso, que pode causar enfisema pulmonar.

Já a Lua seria um cenário propício para um filme de faroeste. Isso porque, segundo os astronautas que participaram de missões por lá, suas roupas especiais cheiravam pólvora quando voltaram para o seu módulo. “Parece que alguém atirou com uma carabina aqui”, disse Gene Cernan.

Buzz Aldrin falou em “pólvora ou o cheiro no ar após explosão de fogos de artifício”. Harrison Schmitt foi específico: “pólvora gasta”.

A questão é que a composição química do solo lunar (com bastante dióxido de silício) é diferente da composição da pólvora (que na atualidade tem nitrocelulose). O solo lunar não é explosivo. Por que o olfato humano considera os cheiros parecidos? A Nasa diz que é um mistério.

Até mesmo astronautas na ISS (Estação Espacial Internacional) e espaçonaves podem adquirir cheiros como fumaça de óleo diesel e churrasco.

Isso porque a explosão causada pela morte de estrelas gera partículas (hidrocarbonetos aromáticos policíclicos) que podem impregnar nas roupas e na fuselagem.

“Se pudéssemos fazer uma limpeza na Voyager [sonda da Nasa há 37 anos no espaço, que atualmente encontra-se fora do Sistema Solar], certamente encontraríamos cheiros interessantes”, diz Alves.

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