Exploração do pré-sal terá pouca influência para aumento das emissões de carbono

Exploração do pré-sal terá pouca influência para aumento das emissões de carbono
novembro 13 13:13 2009

A exploração da camada pré-sal não deve trazer dificuldades para o Brasil no cumprimento de metas de redução das emissões de carbono. A afirmação é de especialistas que participaram da audiência pública promovida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (12), em Brasília.  

A finalidade do debate foi esclarecer dúvidas dos parlamentares sobre o possível impacto do aumento das emissões de gás; diante da preocupação quanto aos efeitos da utilização dos combustíveis fósseis no aquecimento global.  pre-sal

O encontro teve a participação de representantes da Petrobrás e de técnicos do governo. Para o coordenador-geral de Mudanças Globais de Clima do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), José Domingos Miguez, existem meios para evitar impactos negativos. Neste sentido, ele destacou a intenção da Petrobras em reinjetar nos poços perfurados o gás carbônico (CO²)  resultante da queima de combustíveis, além de outras possibilidades analisadas. “Não precisamos ter só uma solução. Pode-se adotar diversas medidas de redução, como aumento de produção de energia renovável, de eficiência energética nos equipamentos, etc”.

Miguez também lembrou que as emissões provenientes da queima do combustível “não serão, necessariamente, geradas no Brasil. Se exportamos o petróleo, esse CO2 será emitido pelo país importador”, conclui.

O pré-sal brasileiro guarda imensos reservatórios de petróleo e gás natural. A camada se estende do litoral do Espírito Santo até o de Santa Catarina. A exploração dessa área deve colocar o Brasil entre os maiores detentores de grandes reservas petrolíferas.

Problema global

Segmentos da sociedade e governo estiveram mobilizados de forma mais intensa, nos últimos meses, em torno da elaboração de propostas a serem apresentadas na Conferência do Clima que se realiza em Copenhague, na Dinamarca, em dezembro. Na avaliação de Miguez, a discussão da política interna deveria levar em conta também as negociações de ordem internacional.

Na sua opinião, o Brasil deve atuar como moderador e intermediar as negociações, mas sem deixar de considerar que o efeito estufa é um problema global. “Um país que causou 1% do problema não pode carregar um ônus enorme para a sociedade enquanto os outros 99% não fazem nada para reduzir as emissões ou acabaram adiando metas nos últimos dez anos”, sustenta.

O especialista do MCT ressalta que os maiores emissores históricos de gases poluentes, desde a Revolução Industrial, são países desenvolvidos como os Estados Unidos, Inglaterra, Rússia e Alemanha. Destaque também para nações emergentes como China e Índia. Neste contexto, o Brasil tem características positivas, devido à matriz energética mais limpa, pela larga utilização de hidrelétricas e de biocombustíveis.

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