Educação indígena é tema de pesquisa

Educação indígena é tema de pesquisa
abril 20 18:50 2015

0indios-educacaoAs mudanças provocadas pela incorporação de tecnologias no universo cultural dos Karaiw (não índios) podem está atreladas a redução do número de cantores e mestres de cantorias em toda a Terra Indígena Araribóia. Esta é uma das questões observadas pela pesquisadora Maria José Ribeiro de Sá, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Ifma), campus de Imperatriz, que deste 2013 vem trabalhando na pesquisa “Educação Indígena: Saberes Culturais na Escola”, que tem o apoio da FAPEMA por meio do edital Prociência.

Os cantores Tenetehara carregam boa parte do patrimônio cultural imaterial desse povo, são portadores dos cantos e das narrativas míticas que dão sentido aos seus rituais e responsáveis pela condução de cada cerimonial, segundo coloca a professora. Em sua pesquisa a professora observa que hoje são poucos os cantores e mestres de cantorias em toda a TI Araribóia, fato que também pode estar atrelado à influência das religiões cristãs evangélicas.

Uma experiência exitosa de incentivo a formação de cantores tradicionais foi a criação do grupo Zapuy de cantoria na aldeia Juçaral. Esse caso, segundo a pesquisadora, evidencia uma experiência em que a proposta da escola específica, diferenciada e intercultural, com a presença de um professor indígena que também é um cantor tradicional possibilitou um ensino que colaborou para a afirmação da identidade cultural local.

O estudo revelou que há lacunas entre o que a legislação prescreve para as escolas específicas, diferenciadas e interculturais e o que ocorre na prática sob a coordenação do Estado do Maranhão na educação escolar indígena da aldeia Juçaral. Por conseguinte, esse fator concorre para manter gestores e professores indígenas sem formação continuada específica e diferenciada; permanência na contratação de professores não indígenas; escassez de materiais didáticos específicos, entre outros.

Assim, conforme evidenciado nas análises e depoimentos, a prática educativa da escola da aldeia Juçaral, ao invés de promover o fortalecimento das práticas socioculturais locais colabora mais no sentido de enfraquecê-las, porque o saber disciplinar e livresco do modelo escolar tradicional, a base do currículo com sete disciplinas, permanece a ser ensinado na escola, com raríssimas exceções com o saber local.

“Com os resultados sistematizados a partir dessa estrutura, acredito que umas das contribuições do estudo para os Tenetehara da aldeia Juçaral, é de que eles podem fazer uso do mapa de saberes analisado com o olhar educacional, para que possam elaborar e construir juntos o Projeto Político Pedagógico da escola local. Ou ainda, uma referência para que outras aldeias Tentehar possam construir o PPP de suas escolas”.

O estudo, segundo Maria Ribeiro, também poderá se constituir em um aporte para a produção futura de materiais didáticos específicos da cultura Tenetehara, visto que traz várias histórias culturais narradas por intérpretes Tenetehara.

Por abordar a questão do diálogo intercultural entre conhecimentos, o estudo pode também auxiliar nas discussões sobre o ensino intercultural na escola indígena e não indígena. Além de contribuir para que as instâncias governamentais responsáveis pela educação escolar indígena, tomando como exemplo a realidade estudada, possam interferir para sanar deficiências e falhas que ocorrem na execução das políticas públicas nessas escolas e em outras.

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