Pesquisa busca aumentar número de doação e transplante de órgãos no Maranhão

Pesquisa busca aumentar número de doação e transplante de órgãos no Maranhão
fevereiro 04 13:49 2015

doacao-de-orgaos-blog1Em 1997, com o Decreto Lei nº 2.268, o Ministério da Saúde (MS) criou o Sistema Nacional de Transplante (SNT) para regulamentar o processo de doação de órgãos e tecidos no Brasil. Por meio de ações integradas, a medida teve como objetivo desenvolver o processo de captação e distribuição de tecidos, órgãos e partes retiradas do corpo humano para finalidades terapêuticas.

No Maranhão, as atividades de transplante foram iniciadas em 2000 com a inauguração da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) e marcadas pela realização do primeiro transplante de córnea e de rim com um doador vivo. Ao longo desse tempo, alguns avançados foram registrados, como a implantação do Banco de Olhos do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão, por exemplo. No entanto, muito ainda há de ser feito.

Atualmente, no Maranhão, 815 pessoas estão cadastradas nas filas de espera para transplante, sendo que 203 para rim e 612 para córnea. Entretanto, segundo a doutora em Enfermagem, Francisca Georgina Macedo de Sousa, a fila para o transplante de córneas não deveria existir se houvesse investimento estratégico para o aumento de doação.

“Apesar de possuir uma boa estrutura física, o CNCDO do Maranhão dispõe de uma equipe incompleta, composta por enfermeiros, técnicos de enfermagem, assistente social e psicóloga. A ausência do profissional médico na equipe concorre para a lentidão ou não andamento do protocolo de morte encefálica. Esta situação, aliada ao baixo índice de notificações de doadores e à dificuldade na implantação da ‘cultura de doação’, colocam o Maranhão numa condição de inferioridade quando comparado aos demais estados do Nordeste, que apresentam crescimento tanto na doação como no número de transplantes”, afirma a enfermeira.

Apesar do procedimento do transplante ter sido iniciado há mais de 13 anos, o Maranhão evoluiu pouco nesta área. Foram realizados durante esse período 1.373 transplantes, sendo 412 de rins e 961 de córneas. Ressalta-se que parte destes transplantes só foram possíveis em virtude da oferta de órgãos e tecidos de outros estados, dentre os quais 35 rins e 571 córneas.

Para mudar essa realidade, Francisca Georgina Macedo de Sousa está coordenando a pesquisa “Doação de órgãos e tecidos: uma pesquisa convergente assistencial”, com o apoio da FAPEMA por meio do edital Universal nº 01/2014.

O objetivo do trabalho é construir medidas inovadoras visando o aumento das notificações, doações e transplantes no Maranhão. “A pesquisa parte das vivências e experiências das pesquisadoras que enfrentam dificuldades para obtenção de consentimentos familiares para doação, resistências por parte dos profissionais de saúde em dar andamento nas etapas do processo de doação de órgãos e tecidos, o acompanhamento na realização do protocolo de morte encefálica e a falta de organização e agilidade do processo para possibilitar a aquisição de órgãos e tecidos com mais segurança e qualidade”, detalha a pesquisadora.

Segundo Georgina Sousa, trata-se de uma realidade que sugere intervenções necessárias para reversão do quadro, em virtude da viabilidade de identificação de potenciais doadores em qualquer um dos hospitais de São Luís sejam eles públicos, privados ou filantrópicos.

“Para contextualizar essa realidade, temos o exemplo de um dos hospitais de urgência e emergência de São Luís, cujo número de óbitos gira em torno de 140 por mês definidos como possíveis doadores de córneas. São dados que indicam a necessidade de um maior envolvimento dos gestores governamentais e hospitalares, dos profissionais de saúde, mídia, sociedade civil e organizada nas questões de doações de órgãos e tecidos para aumentar o número de doações e, consequentemente, o número de transplantes”, defende.

A pesquisa pretende identificar fragilidades e apontar soluções do sistema de doação, captação e transplante de órgãos e tecidos no Maranhão. “Esta investigação poderá modificar o diagnóstico situacional da doação e transplante no estado ao identificar obstáculos e resistências ao processo, construindo e elaborando estratégias e recursos de intervenção. Com o estudo, poderemos também proporcionar subsídios teóricos para que os atores envolvidos com as questões do processo de doação de órgãos e tecidos possam construir estratégias e intervenções para conduzir a sociedade a refletir sobre a possibilidade de se tornar um doador ou até mesmo um receptor de órgãos e tecidos”, conclui Francisca Georgina Macedo de Sousa.

 

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