Mortalidade por doença de Chagas preocupa em Pernambuco

Mortalidade por doença de Chagas preocupa em Pernambuco
novembro 16 11:29 2009

O Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em 2006, uma certificação internacional da eliminação da transmissão da doença de Chagas. Mas, em 2009, ano do centenário da descoberta da doença por Carlos Chagas, a enfermidade continua sendo uma das importantes causas de morte no país. Em Pernambuco, onde ela é considerada endêmica, pouco se sabe sobre o perfil das pessoas que morreram em decorrência da enfermidade nos últimos anos. Estudo realizado pelo Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães (CPqAM/Fiocruz Pernambuco) mostrou que, de 2000 a 2006, ocorreram 738 óbitos no estado, uma média de 123 casos por ano.t_cruzi

A maioria dos óbitos ocorreu em indivíduos acima de 60 anos (61,2%) e na faixa etária de 40 a 60 anos (31,7%). Os homens (61,1%) faleceram mais do que as mulheres (31,9%). “A mortalidade mais elevada na população idosa indica que indivíduos chagásicos nessa faixa etária devem ter atenção prioritária no acompanhamento médico-hospitalar, com o objetivo de minimizar a mortalidade por essa endemia no nosso estado”, explica Romero Vasconcelos, colaborador do Serviço de Referência em Doença de Chagas da Fiocruz Pernambuco.

De acordo com Vasconcelos, as informações também são importantes para o planejamento da atenção ao portador da doença em Pernambuco, pois 37,9% das mortes ocorreram na Região Metropolitana do Recife, 29% no Sertão e 18% na Zona da Mata do estado. Recursos materiais e treinamento de pessoal devem ser destinados ao cuidado dos pacientes com as diversas formas crônicas da doença (cardíaca, digestiva ou mista). “Isso é necessário em todos os níveis de atenção médica para que haja um melhor acompanhamento e a redução na mortalidade de pacientes que provavelmente se contaminaram nos anos 1960 e 1970”, finalizou.

A pesquisa se baseou nos dados registrados no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) da Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE). A orientação foi das pesquisadoras Yara Gomes e Clarice Lins, do Departamento de Imunologia da Fiocruz Pernambuco.

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