Novo equipamento capaz de detectar contaminantes no leite atesta a qualidade do alimento

Novo equipamento capaz de detectar contaminantes no leite atesta a qualidade do alimento
fevereiro 19 12:26 2010

Identificar agrotóxicos e micotoxinas em alimentos, mesmo que a concentração seja tão pequena quanto uma parte de contaminante para um bilhão de partes do alimento: esta é a função de um novo equipamento que chegou ao Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz) em setembro deste ano. Conhecida como UPLC/MS/MS, a máquina custou mais de um R$ 1 milhão e é a segunda desse tipo adquirida pelo Instituto nos últimos dois anos.

A compra dos aparelhos é uma das principais consequências do Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec), instaurado pelo Governo Federal em copo_leite2007 com o objetivo de apoiar o desenvolvimento tecnológico dos setores empresariais, como o do comércio exterior de alimentos. “Esses novos instrumentos nos ajudarão a realizar um controle de resíduos e contaminantes, para que nossas exportações estejam dentro das legislações internacionais e, paralelamente, para proteger a saúde de nossa população”, explica o assessor da direção do INCQS Armi Nóbrega, que atua diretamente com o Sibratec.

Para auxiliar o comércio exterior, o INCQS atuará em conjunto com universidades e outras instituições. Eles dividirão entre si os alimentos a serem monitorados – o Instituto avaliará o leite, enquanto as outras instituições controlarão carne, frango etc. “Escolhemos o leite porque seu consumo é grande entre crianças, idosos e gestantes”, justifica Nóbrega. Além disso, o leite tem um grande valor estratégico em potencial, pois, com o crescimento do poder aquisitivo das populações de países em desenvolvimento, como China e Índia, calcula-se um aumento da demanda deste alimento no futuro.

Os investimentos recebidos pelo INCQS, porém, não se limitam à obtenção de máquinas de ponta. Novas instalações foram preparadas para receber os novos equipamentos. A sala onde os aparelhos se encontram, por exemplo, tem que estar condicionada dia e noite sob temperaturas entre 18º C e 23º C: caso contrário, os resultados dos testes realizados, assim como a conservação dos equipamentos, podem ficar comprometidos. Outras ações incluem a capacitação e o treinamento de funcionários do INCQS; o estabelecimento de intercâmbios com instituições nacionais e estrangeiras; a concessão de bolsas a estudantes recém-formados; e o planejamento de workshops e congressos com participação de consultores internacionais.

Os ensaios para o monitoramento do leite – para detecção de agrotóxicos, micotoxinas ou drogas veterinárias – estão sendo acreditados junto ao Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). A acreditação é o modo de certificar que o INCQS respeita os procedimentos e as calibrações necessárias para emitir resultados confiáveis aqui e no exterior. O Instituto pretende, ainda, introduzir outros ensaios no controle do leite, como o de resíduos de embalagens em alimentos e o de contaminantes inorgânicos, cujas acreditações, igualmente, devem ocorrer em breve.

Outra importante consequência do Sibratec é o plano para que o Instituto produza materiais de referência, utilizados como parâmetro para análises, e ensaios de proficiência, que servem para avaliar a confiabilidade de resultados produzidos em laboratório. “Isso ocorre por sugestão do Governo Federal, para que nos tornemos o principal provedor desses produtos e serviços para os laboratórios de análises do Brasil”, declara Nóbrega. O INCQS produzir esses insumos significaria uma enorme economia para o país, uma vez que se tem um enorme gasto na importação dessas substâncias. “Elas são muito perecíveis, o que encarece a importação, visto que percorrem um longo caminho até chegarem aqui”, explica o assessor.

Embora, no momento, os investimentos do Governo Federal tenham como objetivo imediato um melhor controle do leite a ser exportado, tanto os equipamentos como os efeitos de sua aquisição permanecerão no INCQS como legado. Esse avanço já se faz sentir, por exemplo, nos ensaios de micotoxinas. Pelos métodos anteriores, a detecção de uma única micotoxina era um processo extremamente complexo, o que obrigava os técnicos a elegerem a mais recorrente e perigosa delas e a trabalharem somente com sua identificação. “Esses novos aparelhos nos permitem identificar várias micotoxinas em uma única análise”, conta a química Maria Heloísa de Moraes, que coordena esses ensaios. “Para nós, portanto, esses equipamentos representam uma quebra de paradigma que pode, inclusive, ter reflexo na legislação brasileira, com impactos positivos para a saúde da população”, conclui.

Os investimentos do Governo Federal chegam por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O INCQS também trabalha com o Ministério da Saúde; o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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