Pesquisa analisa ação político-pedagógica do movimento Hip Hop em São Luís

Pesquisa analisa ação político-pedagógica do movimento Hip Hop em São Luís
setembro 21 13:45 2015

hip-hop-fapemaO Hip Hop é um movimento cultural que começou na década de 1970 nas áreas centrais de comunidades jamaicanas, latinas e afro-americanas da cidade de Nova York (EUA). A tradução literal desta expressão é “balançar os quadris”.

Por mais de 20 anos, o professor do curso de Licenciatura Interdisciplinar em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Rosenverck Estrela Santos, foi militante desse movimento. Diante da importância social e cultural do Hip Hop para São Luís, o pesquisador analisou práticas político-pedagógicas desse importante movimento social da juventude negra maranhense.

Ao longo de 25 anos, o movimento Hip Hop organizado do Maranhão, Quilombo Urbano, desenvolve atividades políticas, sociais e culturais entre a juventude negra visando a constituição da identidade étnico-racial. A partir de suas ações centenas de jovens maranhenses constituíram suas identidades étnico-raciais, bem como se tornaram militantes dos movimentos sociais do Maranhão.

“O Hip Hop tem um forte apelo ao estudo e aprendizagem, o que proporcionou que dezenas de seus militantes entrassem em universidades públicas e privadas e passassem a desenvolver atividades referenciadas no movimento. Surgiram, também, diversas monografias e dissertações de mestrado sobre o movimento, ou seja, houve um processo de produção de conhecimento da juventude negra”, diz Rosenverck, pesquisador de temas relacionados aos movimentos sociais, juventude negra, cultura e educação e relações étnico-raciais.

De acordo com o professor, o Hip Hop desenvolve núcleos nos bairros periféricos onde se trabalha o rap, o break e o grafite. Além de grupos de estudos sobre temas como racismo, desigualdade, capitalismo, socialismo etc. “São elaborados planos de intervenções sociais nos bairros, visando atingir a juventude negra. O Quilombo Urbano também organiza a Marcha da Periferia, que se tornou um evento nacional, festivais de Hip Hop e visitas em escolas públicas, onde debatem na linguagem dos jovens os problemas vivenciados por eles”, explica o pesquisador, mestre em Educação pela Universidade Federal do Maranhão.

Segundo Rosenverck, por meio das ações organizativas, jovens aprendem auto-organização e a fazer atividades que às vezes é necessário o conhecimento da burocracia do Estado e isso também gera aprendizado. “São ações que demandam conhecimento da História, das Leis e das determinações da desigualdade o que só é possível por meio de um processo de aprendizagem, realizado por meio de estudos de bibliografias, mas também no movimento da ação concreta das atividades. No mais, são práticas que conformam uma identidade e uma consciência crítica própria dos movimentos sociais”, afirma o professor.

A pesquisa foi desenvolvida ao longo de sete anos e deu origem ao livro “Educação Popular e Juventude Negra: um estudo da práxis político-pedagógica do movimento Hip Hop em São Luís do Maranhão”, que obteve apoio da Fundação de Amparo a Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), por meio do Programa de Apoio à Publicação de Livros, Coletâneas e Catálogos (APUB Livros).

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