Pesquisa avalia conhecimento de enfermeiros e médicos sobre diagnóstico do Autismo

Pesquisa avalia conhecimento de enfermeiros e médicos sobre diagnóstico do Autismo
julho 30 20:16 2015

0autismo-fapemaCrianças que gostam de brincar sozinhas, não respondem pelo nome, não olham as pessoas nos olhos e não interagem com outras crianças podem ter Transtorno do Espectro Autista (TEA). Os sinais precoces podem ser detectados desde os primeiros meses do bebê, mas se intensificam com a idade. O Autismo é caracterizado pela dificuldade na comunicação social e comportamentos repetitivos.

A vivência com uma criança autista causou na pesquisadora Francidalma Soares Sousa Carvalho Filha, professora da Universidade Estadual do Maranhão e da Faculdade de Ciências e Tecnologia do Maranhão (Facema), o desejo de avaliar o conhecimento e as práticas de enfermeiros e médicos atuantes na Atenção Primária à Saúde (APS) sobre o diagnóstico precoce do Autismo.

A pesquisa foi realizada no município de Caxias, que fica a 374 km da capital maranhense, através da aplicação de formulários a 81 entrevistados (39 médicos e 42 enfermeiros). O estudo também tem como objetivo analisar as dificuldades de diagnóstico e tratamento da pessoa autista no âmbito do Sistema Ùnico de Saúde (SUS).

Segundo a pesquisadora, em relação à percepção dos sintomas do Autismo antes dos 18 meses de vida, apenas 21% dos profissionais de saúde entrevistados referiram que conseguem perceber. Entretanto, 79% disseram não perceberem sintomas como déficit nas habilidades de comunicação social inicial e iniciação de atenção compartilhada.

Quanto ao uso de instrumentos de triagem, percebeu-se que 76,5% participantes do estudo não os utilizam quando realizam a avaliação do desenvolvimento infantil. De acordo com Francidalma Soares Sousa Carvalho Filha, o olhar atento do profissional de saúde para os primeiros sinais de atraso facilita a investigação e o estabelecimento de um plano de cuidados eficiente.

“É preciso destacar que o uso de instrumento de triagem permite um acompanhamento detalhado do desenvolvimento infantil, possibilita o registro dos dados para orientar a conduta diante da criança com atraso de desenvolvimento”, ressalta a pesquisadora, que realiza estudos na área de gerenciamento, planejamento e avaliação em saúde.   

Em relação ao encaminhamento dos pacientes com atraso de desenvolvimento, 27,1% sujeitos declararam que encaminham as crianças à consulta com pediatra; 26%, ao neurologista; 23,4%, à APAE; 18,5%, ao CAPS; e 5% mencionaram outras especialidades.

“No caso de um paciente com comprovado atraso de desenvolvimento, o profissional de saúde da Atenção Primária à Saúde deve solicitar apoio de outros setores de atendimento como o Centro Especializado em Reabilitação (CER) e Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), além de especialidades médicas e de outras categorias profissionais, como terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, assistente social e psicólogo. Portanto, após uma avaliação multiprofissional formula-se o projeto terapêutico da criança, com vistas a promover a melhora do seu quadro”, explica Francidalma Soares Sousa Carvalho Filha.

A pesquisa contou com a colaboração da bolsista de iniciação científica da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), Najra Danny Pereira Lima, aluna da Facema de Caxias.

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