Pesquisa investiga a qualidade da comida de rua comercializada em São Luís

Pesquisa investiga a qualidade da comida de rua comercializada em São Luís
outubro 11 15:47 2013

Comida de rua1Batata frita, cachorro-quente, suco, salgado… Na hora da fome, é difícil resistir às tentadoras e apetitosas comidas de rua. Quando a vontade de comer aparece, pouca gente se preocupa com a qualidade do alimento que vai consumir. A boa aparência e o gosto saboroso são motivos suficientes para que as pessoas fiquem com a consciência tranquila depois de uma refeição fora de casa. O que pouca gente sabe são os riscos que corremos ao consumirmos este tipo de alimento.

Percebendo a situação de muitos estabelecimentos que comercializam lanches rápidos em São Luís, a pesquisadora Adenilde Ribeiro Nascimento, da Universidade Federal do Maranhão – UFMA, decidiu investigar se a comida de rua é realmente saudável no que diz respeito, principalmente, às condições higiênico-sanitárias. O resultado foi preocupante.

Com o apoio da FAPEMA para a realização da pesquisa, a professora, doutora em Microbiologia de Alimentos, coletou várias amostras em diferentes bairros da cidade e realizou análises em laboratório. “Além de alimentos, examinei uma grande quantidade de açaí, guaraná da Amazônia, sucos e, até, água de coco e constatei que cerca de 65% dos produtos coletados estavam contaminados”, conta.

A contaminação dos alimentos se dá, principalmente, pela falta de higiene no processo de produção. Ações simples como lavar as mãos antes do manuseio, usar tocas, luvas e máscaras ajudam a diminuir bastante os riscos. Algumas atitudes dos comerciantes são cruciais para aumentar essa contaminação, como, por exemplo, tocar nos alimentos sem lavar as mãos depois do manuseio de dinheiro.

“Outro agravante que nós observamos foi que muitos comerciantes não têm acesso a água potável e isso faz com que até alimentos como água de coco se contaminem, já que os utensílios não passam por uma higienização adequada”, explica a pesquisadora.

Já o armazenamento incorreto é o principal responsável pela multiplicação desses germes. Os alimentos frios devem ser acondicionados em recipientes refrigerados e os quentes devem ser conservados em estufas que mantenham a temperatura ideal de 60ºC. Outro ponto importante é que os alimentos têm um tempo para serem consumidos e este prazo deve ser observado com rigor. “Estes cuidados com o armazenamento são fundamentais, já que o clima do Maranhão, quente e úmido, por si só já favorece a proliferação dos microorganismos”, salienta Adenilde Nascimento.

Foram encontradas bactérias como o Staphylococcus aureus e a Escherichia coli. Estes microorganismos, se patogênicos, podem ocasionar diarreias, dor de cabeça, febre e, até, a morte, caso o indivíduo esteja com seu sistema imunológico fragilizado.

Segundo a professora Adenilde Nascimento, um dos principais motivos deste percentual tão alto de contaminação é a falta de fiscalização. “Em países em desenvolvimento, a comercialização da comida de rua é uma opção para quem está sem emprego e isso acaba caindo na questão social”. Para ela, seria fundamental que os órgãos que cuidam da saúde pública do nosso país fizessem um trabalho de orientação higiênico-sanitária com esses comerciantes. “Esta falta de iniciativa acontece porque poucas pessoas associam seu mal-estar à comida de rua.

Geralmente, tomam uma medicação e não investigam a causa. A falta de dados estatísticos sobre os índices de intoxicação por alimentos dificulta a conscientização dos gestores”, conclui.

Enquanto uma solução não surge, a pesquisadora fala sobre os cuidados que devemos tomar na hora do lanche. “Como não enxergamos as bactérias, devemos ficar atentos às condições higiênicas do ambiente e das pessoas que manuseiam o alimento”.

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