Pesquisadores do Maranhão apontam soluções para a área da saúde

Pesquisadores do Maranhão apontam soluções para a área da saúde
junho 14 18:08 2010

PPSUS1Estudos que trazem mais respostas para doenças como a asma, diabetes, câncer de mama, obesidade na infância, calazar, doenças renais, inflamações nos dentes, além de um levantamento sobre a saúde masculina. Esse foi um retrospecto dos resultados de projetos aprovados pelo edital do Programa de Pesquisa para o SUS  – PPSUS 2007/2010, apresentados nesta última quinta-feira (10), durante o Seminário de Avaliação final do programa.

O leite materno, por exemplo, seria um causador de cárie em crianças? Para a pesquisadora Cecília Costa Ribeiro, a resposta é não. Entretanto, na pesquisa “Associação entre aleitamento materno e cárie de estabelecimento precoce em crianças de 12 a 36 meses”, Cecília encontrou uma incidência de lesões iniciais nos dentes de 50% das crianças com até um ano de idade. A pesquisadora atribui esse problema à falta de correta higienização bucal dos bebês e ao excesso de sacarose ingerido entre as refeições.

Fungos e alergias respiratórias

Clima, umidade e temperatura fazem do Maranhão uma estufa natural para fungos. No ano de 2003, um terço do dinheiro disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o Maranhão foi aplicado no tratamento de doenças respiratórias. Seriam essas doenças causadas por fungos? Para responder esse questionamento, uma equipe de pesquisadores coordenada pela médica Maria do Desterro Soares Brandão Nascimento passou doze meses fazendo coleta de fungos em São Luís.

 Os resultados do trabalho, intitulado “Fungos anemófilos em São Luís – Maranhão, região da pré-Amazônia: monitoramento e caracterização de antígenos fúngicos potenciais de alergias respiratórias”, foram apresentados pela farmacêutica Geuza Felipa de Barros Bezerra durante o Seminário do PPSUS.

PPSUS2Geuza Bezerra relatou que a equipe conseguiu isolar 20 espécies de fungos, com predomínio da Aspergillus e da Penicillium. Para viabilizar o estudo, a equipe selecionou cinco das espécies de maior predominância e analisou a presença de IGE para as espécieis em 301 pacientes que integravam o Programa de Assistência ao Paciente Asmático do Hospital Universitário da UFMA (PAPA) e se queixam de alergias respiratórias. Em todos eles foi verificada a presença de respostas aos cinco fungos com maior predominância.

Agora, os pesquisadores querem isolar e purificar as proteínas alergênicas produzidas pelos fungos anemófilos isolados com a finalidade de descobertas e/ou patentes de importância em biotecnologia. Geuza Felipa de Barros Bezerra trabalha atualmente em uma tese de doutorado sobre o assunto.

Ainda durante o seminário, a Prof.ª Dr.ª Maria Iêda Gomes Vanderlei apresentou os resultados da pesquisa coordenada por ela. Intitulado “Situação de saúde na população masculina no Maranhão”, o trabalho se antecipou à Política Nacional de Saúde do Homem, lançada no dia 27 de agosto de 2009, e dedicou-se a estudar indicadores de nutrição e saúde de homens de 10 a 49 anos de idade. Os pesquisadores aplicaram questionários em 1.293 indivíduos, em 28 municípios do Maranhão.

PPSUS3Já o Prof. Dr. Valdinar Sousa Ribeiro explanou sobre como cruzou dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) sobre natimortos e óbitos infantis em 2008, para estimar o sub-registro do sistema de informações em cidades do Maranhão. A pesquisa encontrou disparidades entre os dados que apontam para a necessidade de treinar profissionais da saúde para um correto preenchimento de documentações.

Também foram apresentadas pesquisas sobre a prevenção de doenças renais crônicas entre diabéticos e hipertensos; sobre a avaliação de pacientes diabéticos a partir do diagnóstico imunológico e bioquímico da saliva; e sobre infecções assintomáticas por Leishmania chagasi em co-habitantes de indivíduos com Leishimaniose visceral.

No Maranhão, o PPSUS é executado pelo Governo do Estado, por meio da Fapema e da Secretaria Estadual de Saúde (SES), em convênio com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde (DECIT/MS).

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