Pesquisadores investem na agricultura urbana de São Luís

Pesquisadores investem na agricultura urbana de São Luís
maio 25 14:53 2009
A Uema formará o primeiro Centro de Referência em Agricultura Urbana do Maranhão, em parceria com o MDS
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A produção agrícola na região metropolitana de São Luís será o objeto de estudo de pesquisadores da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). A instituição foi uma das 12 contempladas pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) para a formação de um Centro de Referência em Agricultura Urbana e Periurbana. O projeto prevê a articulação da agricultura produzida nessa área com outros programas de segurança alimentar, como estratégia de combate à fome na cidade. 

Três comunidades da capital maranhense serão atendidas pelo Centro: Jardim São Cristóvão II, Tajipuru e Bom Jardim, que estão organizadas em associações. A família do agricultor Pedro Ribeiro, que faz parte da Associação do São Cristóvão, está entre as 40 primeiras que serão atendidas na área demonstrativa (uma espécie de projeto piloto). Elas receberão treinamentos para melhorar seus sistemas de produção. “Temos irrigação, fazemos adubação, mas tudo é precário. A gente precisava de um investimento assim para poder crescer”, desabafou o pequeno produtor.

A principal orientação aos agricultores virá da agroecologia, segundo o coordenador do projeto no Maranhão, Altamiro Ferraz, que é doutor em agronomia. Ele defende a idéia da produção de alimentos sem agressão ao ambiente, buscando a sustentabilidade. Isso significa a introdução de um cultivo que não utilize agrotóxicos ou adubos insolúveis, prejudiciais às plantas e à saúde humana. A equipe do Centro de Referência tem cinco orientadores, dentre os quais a coordenadora de Pesquisa Científica da Fapema, Maria Moura. 

Nas plantações dos agricultores maranhenses, Ferraz disse que ainda é comum encontrar problemas gerados por superdosagem de agroquímicos, aplicação desnecessária ou excesso de contaminantes. “Vamos trabalhar contra uma cultura errada desses produtores. Eles, muitas vezes, utilizam agrotóxicos que não são recomendados para certas plantas e adubos solúveis que podem desequilibrá-las e provocar uma série de doenças”, afirmou Ferraz.  
  
Agricultura Urbana

A coordenadora de Agricultura Urbana em Regiões Metropolitanas do MDS, Luciane Ferrareto, está em São Luís e anunciou uma série de editais da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar para a rede de equipamentos públicos. A rede compreende os projetos Cozinha Comunitária, Banco de Alimentos, Educação Alimentar, Povos e Comunidades Tradicionais, além de Agricultura Urbana.

Na última terça-feira, Ferrareto participou de uma conversa com órgãos do Estado e outros parceiros que já desenvolvem trabalhos com a agricultura na cidade. Ela apresentou as linhas de ação nessa área, que vão desde a implantação de feiras no semi-árido do Nordeste, passando pelos programas de segurança alimentar em acampamentos da reforma agrária, até os projetos em regiões metropolitanas.

Desde 2004, o MDS tem projetos de agricultura urbana, inicialmente chamados de hortas comunitárias. “Era um processo muito pequeno, mais para auto-consumo, sem grande escala de produção. A partir de 2007, a gente mudou um pouco o foco, chamando não só de hortas comunitárias, mas de agricultura urbana”, explica Ferrareto. No primeiro ano, foram atendidos 25 municípios brasileiros. Esta foi a primeira vez que o Maranhão concorreu ao edital. No país, já existem experiências bem sucedidas nas cidades de Curitiba e na região metropolitana de São Paulo. 

 

Núcleo de Difusão Científica/Fap

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