Presidentes de fundações de amparo à pesquisa debatem investimentos na ciência e tecnologia

Presidentes de fundações de amparo à pesquisa debatem investimentos na ciência e tecnologia
agosto 18 21:59 2016

silvane MagaliNa tarde dessa quinta-feira, 18, representantes de órgãos de fomento à pesquisa e presidentes de Fundações de Amparo à Pesquisa do Brasil se reuniram na Casa do Maranhão, localizada no Centro Histórico de São Luís, para apresentar e discutir dados referentes às mais recentes ações de fomento ao desenvolvimento de pesquisas na área de ciência, tecnologia e inovação. O encontro faz parte da programação da Reunião do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), que acontece em São Luís até amanhã, sexta-feira (19/08).

Inicialmente foi feita uma apresentação sobre o Vetor Brasil, organização suprapartidária, sem fins lucrativos, que tem como missão desenvolver talentos e práticas no governo para oferecer serviços públicos de qualidade. O Programa de Trainee de Gestão Pública atrai, seleciona, capacita e aloca jovens talentos, com o objetivo de gerar impacto de escala em governos estaduais e municipais do país, auxiliando equipes na implementação de projetos estratégicos e prioritários.

Em seguida foi realizada a mesa redonda Fomento à Pesquisa no Brasil, com representantes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O presidente do CNPq, Hernan Chaimovich, destacou que países em crise costumam investir em pesquisas para solucionar esse problema. Ele lembrou que em 2009, quando os Estados Unidos passavam por uma conjuntura negativa, lançaram a Estratégia para Inovação. “No Brasil, a porcentagem de investimento é a mesma há 20 anos”, revelou. Apesar disso, Chaimovich ressaltou que, quando os pesquisadores brasileiros se confrontam com um problema que demanda uma solução emergencial, eles conseguem apresentar soluções. “Se esses investimentos fossem ao menos duplicados tenho certeza que avançaríamos muito na área de ciência, tecnologia e inovação”.

O diretor-substituto da Diretoria de Programas de Bolsas no Brasil da Capes, Adalberto Grassi Carvalho, falou sobre o Sistema Nacional de Pós-Graduação e apresentou dados que comprovam o crescimento na concessão de bolsas de mestrado e doutorado em todo o Brasil. Segundo ele, de 2012 até hoje, houve uma ampliação de 277% no que se refere a doutorado e 205% no mestrado. “Também devemos destacar a expansão das diversas ações de parcerias com as Fundações de Amparo à Pesquisa brasileiras, os acordos de cooperação, que permitem atuar com mais efetividade e proporcionar o desenvolvimento de um maior número de pesquisas”.

Casos de sucesso – A segunda parte do evento foi composta pela apresentação de cinco Experiências Exitosas das Fundações de Amparo à Pesquisa. A Fapema foi representada pela diretora científica da instituição, Silvane Magali, que tratou das Oficinas de Planejamento e Participação Social, que são ações trabalham a elaboração de editais com a participação de pesquisadores e de outros sujeitos sociais que lidam com a temática em questão. Silvane Magali deu o Edital de Igualdade Racial como exemplo.

Segundo ela, essa forma de trabalho visa a democratização da produção dos editais, que visam atender a um segmento social específico. “Chamamos para o processo de elaboração representantes diretamente ligados à temática, como pesquisadores, por exemplo”. Silvane Magali aproveitou para apresentar os demais editais que passaram pelo processo de Oficinas de Planejamento, o de Agricultura Familiar, o Solidários, o de Igualdade de Gênero e, mais recentemente, o de Aquicultura e Pesca.

Na sequencia, a diretora-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amapá (Fapeap), Mary de Fátima Guedes dos Santos, falou sobre o programa Guyamazon, que tem por objetivo estimular o desenvolvimento e apoiar a ação conjunta de projetos de investigação, formação, inovação, por meio de colaboração entre pesquisadores e professores de instituições de ensino francês, a região Guiana, principalmente francesa, e seus homólogos dos estados do Maranhão, Amapá e Amazonas.

Ela destacou o processo de parceria, que inclui a Fapema. “Essa cooperação tem fortalecido o processo de discussão e de desenvolvimento de ações, o que é sempre feito de forma compartilhada”.  Mary de Fátima finalizou apresentando dados que comprovam a evolução das ações em parceria, bem como as perspectivas até o ano de 2019.

A experiência exitosa seguinte foi a da Fundação de Amparo do Mato Grosso (Fapemat), apresentada pelo diretor-presidente Antônio Carlos Máximo. Ele revelou o crescimento nos investimentos em pesquisas, que ano passado era de 16 milhões e foi elevado a 20 milhões este ano. Máximo ressaltou, ainda, que a Fundação está trabalhando, também, com redes de pesquisas e com os chamados editais induzidos. Ele explicou que esses nada mais são que pesquisas que sejam de interesse estratégico para o Mato Grosso. “Para isso, nós realizamos reuniões com secretários de Estado, pois há uma crítica quase generalizada de que se produz pesquisas para se engavetarem os resultados, ou seja, que não estão ligados à administração pública”.

Segundo Antonio Carlos Máximo, o processo de entendimento não foi simples, pois, diz ele, havia um desentendimento, por parte dos governantes, entre projeto de pesquisa, projeto de inovação e tecnologia e planos de governo. “Aos poucos fomos criando um entendimento sobre esse aspecto, pois era imprescindível que os secretários nos apresentassem suas queixas relacionadas à produção científica”.

Representando a região Sudeste, o diretor-presidente da Fundação de Amparo de Minas Gerais (Fapemig), Evaldo Vilela, e o diretor-presidente da Fundação de Amparo do Espírito Santo, José Antônio Buffon, trataram sobre a rede de pesquisas tendo como objetivo a Recuperação da Bacia Hidrográfica do Rio Doce e ecossistemas associados.

Os pesquisadores apresentaram algumas ações para recuperação da Bacia, bem como revelaram projetos no sentido de organizar a mineração e organizar os resíduos gerados por essa atividade.

Paulo Boffman, diretor-presidente da Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná, fechou as apresentações de experiências exitosas tratando do Programa Paraná Biodiversidade, que é uma parceria com o Grupo Boticário. Ele mostrou dados sobre as ações que vem sendo desenvolvidas desde 2011 e revelou que a Fundação buscou parceria em todas as universidades e institutos de pesquisas, “para que os investimentos fossem feitos na direção exata”, justificou Broffman.

Confap – O Fórum do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) acontece até amanhã em São Luís. É uma promoção do Governo do Estado do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).

 

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