Projeto de extensão revela impactos do agronegócio no leste maranhense

Projeto de extensão revela impactos do agronegócio no leste maranhense
outubro 02 13:02 2013

Aterro feito por gauìchos no Rio Gengibre-Povoado Vertente-Santa Quiteìria-Erinaldo

Durante mais de dois anos a professora Maristela de Paula Andrade, juntamente com uma equipe formada por dez alunos dos cursos de Geografia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão – UFMA, se embrenharam em três municípios (Santa Quitéria, Urbano Santos e Mata Roma) e cerca de 40 povoados do leste maranhense, numa tentativa de colher informações relativas à expansão da soja e do eucalipto na região conhecida como Baixo Parnaíba.

A intenção dos pesquisadores era investigar as consequências da implantação desses monocultivos para a agricultura, a pecuária e o extrativismo realizados em base familiar. “Buscávamos verificar os impactos dessas culturas para o meio ambiente, sobretudo os solos e os recursos hídricos, e para as atividades econômicas dos trabalhadores rurais da região”, explica a professora Maristela Andrade, que desde a década de 80 estuda o modelo de desenvolvimento adotado pelo Estado brasileiro e a economia camponesa nas áreas de cerrado.

Os dados obtidos a partir de relatos dos próprios trabalhadores, da análise de documentos oficiais e também de entrevistas com técnicos do IBAMA, SUZANO e secretaria estadual de Meio Ambiente (SEMA), revelaram diversos problemas, entre eles o aterramento de nascentes de rios, despejos de agrotóxicos sobre povoados e escolas, além de extinção de corpos hídricos importantes. Essas e outras informações que compõem o relatório da pesquisa “Campesinato e Crise Ecológica” agora estão sendo disponibilizadas para a sociedade em geral, por meio do projeto de extensão “Diálogos entre Ciência e Sociedade – Os impactos do agronegócio sobre a agricultura familiar no leste do Maranhão”.

O projeto conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão – FAPEMA via auxílio à pesquisa e bolsas PIBIC, e também com uma bolsa produtividade do CNPqtrator aradando arvores solitaria

“A ideia é tirar o relatório de pesquisa das prateleiras, para que o conhecimento científico pudesse alcançar os próprios interessados – os trabalhadores rurais da região – e aqueles que os apoiam e assessoram”, declarou a professora Maristela. Outro objetivo do projeto é dar continuidade à formação de alunos da graduação na prática da pesquisa e do trabalho de campo.

Desdobramentos – Os resultados práticos dessa iniciativa já são bastante visíveis. Segundo a professora Maristela Andrade, alguns municípios decretaram leis municipais que proíbem a expansão desordenada de eucalipto, tal como vinha ocorrendo. Isso ocorreu, ainda segundo Maristela, porque os pesquisadores municiaram o Ministério Público com informações de caráter técnico, incluindo mapas, depoimentos, fotografias, além de análise de informações do ponto de vista da Antropologia e da Geografia.

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