SBPC: Drogas de origem marinha são usadas no combate ao câncer

SBPC: Drogas de origem marinha são usadas no combate ao câncer
julho 30 18:06 2010

As profundezas do mar são cercadas de muitos mistérios que a ciência ainda caminha para desvendar. Escondidas no fundo dos oceanos podem estar, desconhecidas e inexploradas, as curas de muitas doenças que hoje são as principais causasBiodiversidade-3 de morte dos seres humanos. Pesquisadores brasileiros têm se dedicado ao estudo de componentes de animais marinhos capazes de matar células cancerosas e ajudar na absorção de drogas pelo organismo. Esse foi o primeiro assunto tratado durante o Simpósio “Biodiversidade e Sustentabilidade”, que aconteceu dentro da programação da 62ª Reunião Anual da SBPC (Natal/RN), e foi coordenado pelo pesquisador maranhense Antônio Silva Oliveira, vice-reitor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

 

Valéria Laneuville Teixeira, pesquisadora do departamento de Biologia Marinha da Universidade Federal Fluminense, iniciou a discussão expondo alguns exemplos de medicamentos de origem marinha, que têm sido produzidos no mundo todo para combater o câncer. Segundo a pesquisadora, a PharmaMar foi a primeira empresa a desenvolver e comercializar uma droga de origem marinha no tratamento da doença.

 

“A biotecnologia marinha é um campo extremamente promissor no que diz respeito à investigação científica e o mar tem sido uma das principais fontes de novos produtos industriais. A indústria de cosméticos, por exemplo, é a maior detentora de patentes de produtos biotecnológicos de origem marinha”, destacou a pesquisadora.

 

Para Valéria Laneuville, é importante conhecer o potencial biotecnológico da biodiversidade brasileira, mas, é fundamental aplicar métodos de preservação dessa biodiversidade. “Grande parte do oceano permanece inexplorado e muitos problemas continuam à espera de solução, apesar dos avanços científicos registados nos últimos anos, O mar é uma inesgotável fonte de recursos, não apenas fármacos, mas também de alimentos e energias renováveis, por exemplo. Contudo, a exploração dos recursos marinhos deve acontecer com responsabilidade. Só assim é possível dar sustentabilidade ao uso de produtos biotecnológicos”, alertou.

 

Isaac Almeida de Medeiros, da Universidade Estadual da Paraíba, destacou que a produção de fitoterápicos no país ainda é pequena quando comparada ao potencial do mar, fauna e flora brasileiros. “Nós temos hoje, no Brasil, 512 medicamentos fitoterápicos, e o país detém 22% da biodiversidade do planeta. Desses medicamentos, apenas um é genuinamente brasileiro, o Acheflan. Ainda existe uma grande dependência externa na produção de medicamentos”, analisou.

 

Biodiversidade maranhense – O simpósio também contou com a participação de outro representante do Maranhão, a pesquisadora Maria da Cruz Moura, doutora e prBiodiversidade-2ofessora da UFMA, Campus Chapadinha. Em sua apresentação, ela destacou programas em rede que estudam a biodiversidade, dos quais o Estado faz parte. A pesquisadora enumerou exemplos, como a Rede Bionorte e a RedeBio, programas que localmente são geridos pela FAPEMA.

 

“O Maranhão possui sete cursos stricto sensu relacionados à biodiversidade. Temos projetos de pesquisa com ênfase no melhoramento do milho, na diversidade genética das abóboras, e estudos sobre os bacurizais. Estamos nos mobilizando também para a criação de um programa em rede nacional de abelhas nativas”, finalizou Maria Moura.

 

O sistema da biodiversidade maranhense foi colocado em debate com a participação de uma professora local. Quando um pesquisador participa desses espaços, ele traz os problemas do nosso Estado, apresenta soluções e os coloca na pauta nacional”, entusiasmou-se Antônio Oliveira, que também é membro da Comissão Científica da SBPC.

 

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