Trabalho utiliza festas do folclore maranhense como explicação às relações sociais locais

Trabalho utiliza festas do folclore maranhense como explicação às relações sociais locais
julho 11 17:03 2014

5021231778 5dae3f17e5 bÉ possível entender processos sociais a partir do estudo dos repertórios e organizações festivas? O professor Antônio Evaldo Almeida Barros, da Universidade Federal do Maranhão, acha que sim.

Para ele – que coordena uma pesquisa sobre a trajetória social dos grupos de bumba meu boi maranhense entre 1910 e a década de 1940 – organizações festivas desse tipo seriam elementos importantes para se pensar os processos de mudança social nesse período.

“É possível, a partir da análise dessas manifestações, reconstituir experiências de diferentes sujeitos, grupos e setores sociais para entender melhor aspectos do Maranhão e do Brasil. Pode-se, por exemplo, verificar formas de exercício do poder numa sociedade hierarquizada e modos como os sujeitos lidavam com diferenças e desigualdades naquelas primeiras décadas do Brasil republicano”, explicou o pesquisador.

Esse é o foco central de um trabalho que Antônio Evaldo coordena e que conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão – FAPEMA.

O projeto conta ainda com a colaboração de professores da UFMA, Universidade Estadual de Campinas e do Instituto Superior de Artes e Cultura de Moçambique, além de alunos bolsistas dos cursos de ciências humanas da UFMA, que atuam como voluntários.

Ainda de acordo com Antônio Evaldo, Trata-se também de tentar notar como diferentes narrativas acerca dos significados e origens dos bumbas poderiam servir para analisar um campo denso e tenso em torno do qual gravitavam questões sobre “raça”, classe e identidade no Brasil dos anos 1910-40, “quando os ambíguos campos das identidades da região e da nação frequentemente se interconectavam”.

Acesso

Além de mapear e reconstituir os registros das diferentes organizações festivas – em especial os grupos de bumba meu boi que circulavam em São Luís durante os festejos juninos -, o projeto pretende também disponibilizar as informações colhidas não só para o público especializado, mas também para a comunidade em geral.

“Deve-se destacar que há um vasto conjunto de fontes, de diferentes naturezas, que se constituem como registro histórico dos bumbas e dos festejos juninos maranhenses. Tudo isso poderia ser transcrito, digitalizado e disponibilizado para o público, tanto para pesquisadores como para o público em geral que, acompanhando as notícias de jornal, os registros policiais e outros documentos da época, podem construir suas próprias interpretações dessa história”, declarou o professor.

 

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